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Monthly Archives: Janeiro 2017

Saiu em 2015 um livro em inglês chamado “Obfuscation“, de Finn Btunton e Helen Nissenbaum.

O conteúdo trata de como se mover de forma mais segura no meio da vigilância. Exemplos de técnicas seriam despistar ou criar ruído, se “camuflar” digitalmente, ou então fazer umas pequenas sabotagens. A primeira parte trata de casos reais de ofuscação, não apenas digital, mas de várias áreas como radares, poker ou grampo.

Já a segunda parte vai tentar responder às seguintes perguntas: Por que a ofuscação é necessária? Podemos justificá-la? A ofuscação funciona?

Tudo isso levando em conta o contexto onde esta técnica está sendo usada: se você está agindo individualmente ou em grupo, quais são os meios de vigilância do seu adversário, sua ação é pública ou secreta ou anônima, sua escala de tempo é de curto ou médio prazo, etc.

Ainda não terminei de ler, mas já posso dizer que minha percepção sobre cultura de segurança se ampliou: ao lado da criptografia, a ofuscação parece trazer meios viáveis para as pessoas que não querem deixar de usar os serviços digitais comuns se protegerem melhor e resguardarem mais a sua privacidade.

baixe o PDF.

Obfuscation_

tirado da Folha.

Brecha do WhatsApp permite espionar mensagens criptografadas, diz jornal

Um pesquisador da Universidade da Califórnia descobriu uma brecha de segurança do WhatsApp que pode ser usada pelo Facebook e por outras instituições para interceptar e ler mensagens criptografadas enviadas no aplicativo.

De acordo com o jornal “Guardian”, Tobias Boelter, especialista em criptografia e segurança, encontrou o atalho. “Se agências do governo solicitarem ao WhatsApp o registro de mensagens, a empresa pode conceder esse acesso devido a uma mudança de chaves [de segurança]”, disse ele à publicação britânica.

O Facebook, que controla o WhatsApp, afirma que ninguém pode interceptar essas mensagens —nem mesmo a empresa e sua equipe—, o que garante a privacidade dos usuários.

O sistema de segurança gera chaves de segurança exclusivas, por meio do protocolo Signal, desenvolvido pela Open Whisper Systems.

A criptografia “end to end” é um sistema utilizado pelo aplicativo para que a mensagem saia com uma espécie de “cadeado invisível” do dispositivo que a envia e só seja decodificada quando chega ao aparelho do receptor. Nos servidores da empresa, não são retidos nenhum vestígio do conteúdo dessas mensagens.

A segurança do WhatsApp baseia-se na geração de chaves de segurança exclusivas, usando o aclamado protocolo Signal, desenvolvido pela Open Whisper Systems, que é negociado e verificado entre usuários para garantir que as comunicações são seguras e não podem ser interceptadas por um intermediário.

No entanto, o WhatsApp tem a capacidade de forçar a geração de novas chaves de cifração para usuários off-line, sem que remetente e destinatário da mensagem original tenham ciência disso, e pode forçar o remetente a recifrar mensagens com novas chaves e enviá-las de novo, em caso de mensagens que não tenham sido marcadas como entregues.

O destinatário não é informado dessa alteração na criptografia, enquanto o remetente é notificado somente se eles tiverem optado por avisos de criptografia nas configurações e somente após as mensagens terem sido reenviadas. Esta re-criptografia e retransmissão efetivamente permite que o WhatsApp intercepte e leia as mensagens dos usuários.

Segundo o “Guardian”, Boelter relatou a vulnerabilidade ao Facebook em abril de 2016. A resposta foi que a empresa estava ciente do problema, que era um “comportamento esperado” e não estava sendo trabalhado.

Um porta-voz da WhatsApp disse ao “Guardian” que “mais de 1 bilhão de pessoas usam o WhatsApp hoje porque é simples, rápido, confiável e seguro. Sempre acreditamos que as conversas das pessoas devem ser seguras e privadas. No ano passado, demos a todos os nossos usuários um nível de segurança melhor, fazendo com que cada mensagem, foto, vídeo, arquivo e chamada de ponta a ponta sejam criptografados por padrão. À medida que introduzimos recursos como criptografia de ponta a ponta, nos concentramos em manter o produto simples e levar em consideração como ele é usado todos os dias em todo o mundo.”

“Na implementação do protocolo Signal adotada pelo WhatsApp”, acrescentou o porta-voz ao “Guardian”, “temos uma opção de configuração que permite exibir notificações de segurança, e ela notifica usuários sobre alterações em seu código de segurança. Sabemos que o principal motivo para que isso aconteça é que as pessoas troquem de celular ou reinstalem o WhatsApp. Isso acontece porque, em muitas partes do mundo, as pessoas frequentemente trocam de aparelho e de chip. Nessas situações, queremos garantir que as mensagens enviadas a elas sejam entregues e não fiquem perdidas no caminho”.

Steffen Tor Jensen, vice-presidente de segurança da informação e de combate à vigilância digital na Organização Europeia-Bahraini para os Direitos Humanos, verificou as descobertas de Boelter. “O WhatsApp pode efetivamente continuar lançando as chaves de segurança quando os dispositivos estão offline e reenviando a mensagem, sem deixar os usuários saberem da mudança até que ela tenha sido feita, fornecendo uma plataforma extremamente insegura”, disse ele ao jornal.

A professora Kirstie Ball, fundadora do Centro de Pesquisa em Informação, Vigilância e Privacidade, chamou a existência de atalho dentro da criptografia do WhatsApp “uma mina de ouro para agências de segurança” e “uma enorme traição à confiança do usuário”.

“É uma enorme ameaça à liberdade de expressão. Os consumidores dirão, eu não tenho nada a esconder, mas você não sabe que informação é procurada e que conexões estão sendo feitas”, completa.

Ativistas de privacidade disseram que essa vulnerabilidade é uma “enorme ameaça à liberdade de expressão” e advertiram que ela pode ser usada por agências governamentais para espionar as pessoas, que acreditam que suas mensagens são seguras.