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Monthly Archives: agosto 2017

PDF do livro em inglês.

Tradução do início da Introdução:

“A excelência suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo
sem lutar.” – Sun Tzu

Há dois mil anos atrás, o estrategista militar chinês Sun Tzu percebeu que a guerra indireta é uma das formas mais eficientes de combater um inimigo. Ela permite derrotar um adversário sem engajar-se diretamente com ele, salvando assim os recursos que teriam sido gastos num confronto direto. Atacar um inimigo indiretamente pode também afundá-lo e colocá-lo na defensiva, tornando-o então vulnerável a outras formas de ataque. Ela também carrega consigo um custo adicional para o lado defensivo, já que o tempo e os recursos gastos lidando com o ataque indireto poderia ter sido melhor gastos em outras coisas. Além das vantagens táticas, existem também vantagens estratégicas. Talvez hajam certo impedimentos (com respeito a, por exemplo, alianças, paridade militar, etc.) que evitam que um lado lance hostilidades contra o outro. Nesse caso, a guerra indireta é a única opção para desestabilizar o outro.

Nos idas de hoje, armas de destruição em massa e o emergimento de um mundo multipolar colocar limites na confrontação direta entre Grandes Potências. Mesmo que os EUA continuem possuindo o mais forte poder militar convencional do mundo, a paridade nuclear que eles têm com a Rússia serve como um lembrete que a unipolaridade tem os seus limites. Adicionalmente, o sistema internacional está se transformando de tal forma que os custos políticos e físicos de empreender uma guerra convencional contra certos países (como China ou Irã) está se tornando muito mais que um fardo para os políticos estadunidenses, fazendo com que essa opção militar seja menos atrativa. Nessas circunstâncias, a guerra indireta adquire um grande valor no planejamento estratégico e sua aplicação pode tomar uma variedade de formas.

A guerra direta pode ter sido marcada, no passado, por bombardeiros e tanques, mas se o padrão que os EUA têm apresentado hoje na Síria e na Ucrânia serve de alguma indicação, então a guerra indireta, no futuro, será marcada por “manifestantes” e insurgentes. As quintas colunas serão formadas menos por agentes secretos e sabotadores disfarçados e mais por atores não estatais que publicamente se comportam como civis. As mídias sociais e tecnologias similares virão para substituir as munições guiadas de precisão como a capacidade de “ataque cirúrgico” do lado agressor, e as salas de bate-papo e páginas do Facebook se tornarão os novos “antros de militantes”. Ao invés de confrontar diretamente os alvos nos seus próprios territórios, conflitos por “procuração” serão empreendidos na vizinhança próxima para desestabilizar sua periferia. As ocupações tradicionais pode dar lugar para golpes de Estado e operações indiretas de mudança de regime que são mais custo-eficientes e menos politicamente sensíveis.

O livro foca na nova estratégia de guerra indireta que os EUA demonstraram durante as crises da Síria e da Ucrânia. Ambas situações deixaram muitos pensando se eles estavam vendo a exportação das Revoluções Coloridas para o Oriente Médio, a chegada da Primavera àraba na Europa, ou talvez algum tipo de Frankstein híbrido. É garantido que quando as ações dos EUA em ambos países são objetivamente comparadas, pode-se discernir um novo padrão de abordagem em direção à mudança de regimes. Esse modelo começa pelo emprego de uma revolução Colorida como uma tentativa suave de golpe de Estado, apenas para ser seguida de um duro golpe de Estado pela Guerra Não-Convencional, se o primeiro plano falha. Gurra Não-Convencional é definida neste livro como qualquer tipo de força não-convencional (como um corpo militar não-oficinal) engajada num combate largamente assimétrico contra um adversário tradicional. Tomadas juntas numa abordagem dupla, Revoluções Coloridas e Guerra Não-Convencional representam os dois componentes que formar a teoria da Guerra Híbrida, o novo método de guerra indireta sendo empreendido pelos EUA.

(No capítulo 2, temos várias informações sobre o uso da internet em geral e do Facebook em particular como ferramentas de guerra.)

Quinta-feira, dia 24, às 19h30 no tarrafa teremos a
Oficina Prática turboCrypto: gpg + otr!

Serão duas horas sobre o melhor da criptografia, jamais superada pela humanidade e além-mundos. Veremos primeiramente como funciona a criptografia assimétrica, para logo em seguida instalar um cliente de email e a extensão Enigmail, que lida com o protocolo GPG [1]. Descobriremos onde está nossa chave privada (ela deve ser protegida e é de nossa e somente nossa responsabilidade cuidar dela) e como gerenciar as chaves públicas de nossos pares. Na sequência, entraremos no protocolo de bate-papo XMPP e aprenderemos a usar a camada de criptografia OTR (off-the-record) [2], que serviu de base para o Signal Protocol, hoje rodado por mais de 1 bilhão de pessoas pelo mundo afora. Ambas criptografia, GPG e OTR, são protocolos de código aberto e federados, ou seja, desde a primeira linha de código eles promovem a comunicação entre diferentes servidores (descentralização) além da própria liberdade na internet.

[1] https://gnupg.org/
[2] https://otr.cypherpunks.ca/

original em inglês
21 de outubro de 2014

 

A ciência da computação moderna é dominada por homens. Mas nem sempre foi assim.

Muitos dos pioneiros da computação – pessoas que programavam nos primeiros computadores digitais – foram mulheres. E por décadas, o número de mulheres que estavam na ciência da computação cresceu mais rápido do que o número de homens. Porém, em 1984, algo mudou. A porcentagem de mulheres nas ciências da computação estagnou e, em seguida, despencou, mesmo que a parcela de mulheres em outros campos técnicos e profissionais tenham continuado a subir.

 

O que aconteceu?

Passamos as últimas semanas tentando responder a essa questão e não encontramos uma resposta simples e clara.

Mas aqui está um bom ponto de partida. A parcela de mulheres nas ciências da computação começou a cair, grosso modo, ao mesmo tempo que os computadores pessoais começaram a aparecer em grandes quantidades nos lares dos Estados Unidos.

Esses primeiros computadores pessoais não eram muito mais do que brinquedos. Era possível jogar pong ou jogos simples de tiro, ou quem sabe processar textos. E esses brinquedos foram vendidos visando totalmente um mercado masculino.

A ideia de que computadores são para meninos tornou-se uma narrativa. Ela virou a história que contamos a nós mesmos sobre a revolução da computação. E ajudou a definir quem eram os geeks e criou a cultura techie.

Filmes como Wierd Science, Revenge of the Nerds e War Games vieram todos nos anos 1980. E o resumo de seus enredos são quase intercambiáveis: um garoto geek esquisito e gênio usa suas super habilidades técnicas para vencer as adversidades e ganhar a garota.

Nos anos 1990, a pesquisadora Jane Margolis entrevistou centenas de estudantes da ciência da computação na Universidade Carniege Mellon, a qual tinha um dos melhores programas de estudo dos EUA. Ela descobriu que as famílias eram muito mais propensas a comprar computadores para os garotos do que para as garotas – mesmo que elas tivessem um forte interesse em computadores.

Quando essas crianças foram para a universidade, isso foi crucial. À medida que os computadores pessoais se tornavam mais comuns, os professores de ciência da computação passaram cada vez mais a assumir que seus estudantes haviam crescido brincando com computadores em casa.

Patricia Ordóñez não tinha um computador em casa, mas ela era muito boa em matemática na escola.

“Minha professora percebeu que eu era muito boa em resolver problemas, então ela pegou eu e outro menino e nos ensinou matemática especial”, disse. “Estudávamos matemática ao invés de ir para o recreio!”.

Então, quando Ordóñez foi para a Universidade Johns Hopkins nos anos 1980, ela descobriu que estudaria ou ciência da computação ou engenharia elétrica. Assim, ela foi à sua primeira aula introdutória e descobriu que a maioria dos seus colegas masculinos estavam muito à frente dela porque haviam crescido brincando com computadores.

“Lembro-me de uma vez em que fiz uma pergunta e o professor parou, me olhou e disse ‘você já deveria saber disso a essa altura’”, lembra. “E então pensei que nunca conseguiria passar”.

Nos anos 1970, isso nunca teria acontecido. Os professores de aulas introdutórias assumiriam que seus estudantes não tinham nenhuma experiência. Mas nos anos 1980, o cenário havia mudado.

Ordóñez fez a matéria mas tirou o primeiro C da sua vida. Ela então desistiu do programa e se formou em línguas estrangeiras. Mais de uma década depois, voltou aos computadores. Encontrou um mentor e então conseguiu seu Ph.D. em ciência da computação. Agora ela é professora assistente dessa disciplina na Universidade de Porto Rico.