[PORTO ALEGRE] Segunda Oficina de Python – AfroPython

Um ano após a realização da sua 1ª edição e com o propósito de incluir e empoderar pessoas negras na área de TI, o AfroPython realiza mais uma oficina de programação de iniciação a Python. As inscrições estão abertas até o dia 14 de Novembro e o evento acontece no dia 24 de Novembro na Faculdade de Informática da PUCRS,  Prédio 32.

Não sabe programar e quer aprender? Sua hora chegou! O nosso workshop é super básico, qualquer pessoa que não tenha experiência com programação pode participar e aprender sobre Python e Django.

Mais sobre a iniciativa de acordo com o site do AfroPython:

O AfroPython é uma oficina de programação que tem o objetivo de incentivar a população negra nas áreas de tecnologia.

O AfroPython deseja ser uma iniciativa marcante: para quem faz e para quem participa. E queremos somente marcas positivas e felizes, já que as razões que nos unem não são tão historicamente nobres: somos a maior parte da população e não vemos esse dado refletido no mercado de trabalho, especialmente nas empresas de Tecnologia da Informação no Brasil.

https://afropython.org/

Nova Seção – Mariscotron Tira Dúvidas

 

Criamos uma nova seção no site chamada “Mariscotron Tira Dúvidas”. Nessa seção abrimos um canal direto para tirarmos dúvidas e conversarmos sobre cultura de segurança, segurança da informação, comunicação segura, tecnopolítica ou tecnologia em geral.

Esses tempos de rápidas mudanças no contexto político nacional tem gerado muita incerteza e ansiedade. Em função disso muitas dúvidas e inseguranças têm vindo à tona, em especial nos campos da segurança e autodefesa digital. Por isso, mais do que nunca, é importante que os coletivos e indivíduos que buscam transformar a sociedade de alguma maneira estejam atentos buscando aperfeiçoar suas práticas de forma a agir melhor preservando sua integridade e a das pessoas à sua volta.

Acesse a seção aqui e adicione suas perguntas ou comentários, ou acesse diretamente o bloco de notas virtual aqui.

 

Oportunidade de Estágio em Projetos de Código Aberto

A Outreachy está com inscrições abertas para o programa de estágios de inverno. São vagas nas áreas de programação, experiência de usuário (UX), documentação, ilustração e design gráfico ou data science. As vagas são em projetos de Software Livre e de Código Aberto, e são oferecidas preferencialmente para mulheres (cis ou trans), homens trans, e pessoas genderqueer.

Os estágios tem duração de três meses e as posições de trabalho são completamente remotas. O valor da bolsa é de 5.500,00 doláres e um adicional de 500,00 doláres para custos de viagem. Interessadxs tem até o final de outubro para aplicarem nesse endereço.

 

[FLORIPA] Oficina “Ferramentas Digitais para Organização Coletiva”

Na próxima quinta-feira, dia 13/set, acontece a oficina “Ferramentas digitais para organização coletiva”. Iremos apresentar e mostrar como funcionam algumas opções de ferramentas para organização coletiva que são usadas há quase duas décadas por inúmeros grupos ativistas pelo mundo. Nesse tempo, muito se melhorou em termos de segurança da comunicação, porém nossas necessidades quando estamos em coletivos, continuam as mesmas: nos comunicarmos, organizar e debater nossas ideias, compartilhar materiais e tomar decisões. Toda tecnologia possui valores codificados em sua estrutura que nós não conseguimos alterar, por mais que “usemos do nosso jeito”. Por isso recomendamos coletivos de tecnologia como Riseup ou Autistici que desenvolvem softwares a partir de valores como justiça social, privacidade e autonomia. Divulguem e apareçam!

Quando: dia 13 / set, quinta
Hora: 19h00
Local: Tarrafa Hackerspaço

Recuperando Arquivos com Linux

 

Discos rígidos e outros dispositivos de armazenamento estão sujeitos a falhas. Algumas vezes essas falhas podem ser causadas por vírus ou malware, outras vezes por corrupção dos dados, erro humano, ou também falha mecânica. Independente da razão, a perda de dados é no melhor dos casos uma dor de cabeça, mas pode significar problemas muito maiores dependendo dos dados envolvidos.

Muitas vezes supomos que a recuperação de dados de um disco é um serviço especializado, de alta complexidade e que necessita mão-de-obra técnica. Mas nos casos onde a falha não é mecânica é possível recuperar parcial ou totalmente os dados através de software desenvolvido especificamente para isso. Nesse tutorial vamos falar de duas ferramentas de recuperação de dados, TestDisk e Foremost. Ambas ferramentas estão disponíveis para as principais distribuições Gnu/Linux e podem ser instaladas através de gerenciadores de pacotes como o APT, Synaptic ou Ubuntu Software Center.

Testdisk

Com o TestDisk, além de restaurar arquivos corrompidos e excluídos, também é possível alterar e escrever partições e tentar recuperar discos que não estão inicializando normalmente.

O programa deve ser rodado no terminal com privilégios administrativos:

$ sudo testdisk

A partir desse comando o programa apresenta uma interface de texto com diversas opções. Para recuperar arquivos, devemos seguir os seguintes passos. Primeiro, precisamos escolher entre criar ou não um arquivo de log da operação, essa opção não influencia nos próximos passos. Depois dessa escolha, o programa listará os dispositivos de armazenamento de dados instalados e montados na sua máquina. Você deve ser capaz de identificar em qual deles quer buscar pelos arquivos perdidos. Selecionando o disco correto, agora é hora de escolher qual formato de partição o programa deve buscar – na grande maioria dos casos deve-se selecionar Intel (para discos formatados como ext2, ext3, NTFS, FAT32 entre outros). Agora selecione [Analyse]. O programa iniciará buscando por partições e em alguns casos pode encontrar antigas partições que não nos interessam ou que ele é incapaz de recuperar. Pressione [Continue] até encontrar a partição procurada. Ao encontrar, é possível listar todos os arquivos contidos na partição com a tecla P (shift+p) e então copiar os arquivos. Os principais comandos para realizar operações com os arquivos são os seguintes:

  • : para selecionar o diretório / arquivo destacada
  • a para selecionar todos os diretórios / arquivos
  • c para copiar o arquivo destacado
  • C (shift+c) para copiar todos os arquivos
  • seta direita, seta esquerda para navegar pelos diretórios

Uma vez copiados os arquivos, o programa automaticamente nos direciona para nossa pasta pessoal onde podemos selecionar onde queremos colar os arquivos. A tecla para colar os arquivos é C. Esse processo pode demorar bastante tempo.

Foremost

Foremost é uma ferramenta muito completa de data carving . Ele busca por cabeçalhos e rodapés dos arquivos no disco e os reconstrói a partir dessas informações. É um processo mais complexo mas que consegue recuperar dados que estão mais corrompidos ou danificados.

Com os comandos básicos é possível executar uma varredura do disco alvo copiando os arquivos de forma rápida através de filtragens por formato de arquivo. Supondo que os arquivos procurados sejam imagens, uma busca exclusiva por jpg e png se torna muito mais ágil do que buscar por todos os arquivos contidos no disco. Os principais comandos são os seguintes:

  • -t antecede uma lista separada por vírgulas de formatos de arquivos que você quer buscar
  • -v modo verbose, exibe informações do andamento da operação de cópia
  • -o o diretório onde você quer salvar os arquivos de saída (output) da sua varredura
  • -i o diretório onde você quer efetuar a busca (input), pode ser um HD, ou outras imagens de disco de diferentes formatos

por exemplo:
$ sudo foremost -t pdf,jpg,odt -o pastadesaida -v -i /dev/sdb

Nesse exemplo, utilizamos o [sudo] para obter privilégios administrativos e fazemos uma busca por arquivos pdf, jpg e odt no dispositivo e copiamos os arquivos que correspondem a essa busca em diretório chamado .

Além dessas duas ferramentas que apresentamos aqui, existem várias outras opções livres e de código aberto para recuperação dados. Algumas são mais especializadas e outras amplas demais. Para problemas mais específicos ou complexos essas outras opções podem ser úteis. Lembre-se: mantenha sempre um backup de seus informações mais sensíveis!

Instalando LineageOS em seu Android

Hoje em dia smartphones são ferramentas que acompanham a maioria de nós o tempo todo. Esses dispositivos se tornaram computadores de bolso que utilizamos para fazer muito mais do que apenas ligações. Com eles tiramos fotos e gravamos vídeos, acessamos a internet, checamos nossos emails, interagimos em redes sociais e principalmente trocamos mensagens instantâneas com nossos contatos. Porém, ao contrário de computadores comuns, smartphones são computadores sobre os quais temos muito pouco controle.

Atualmente apenas dois sistemas operacionais de dispositivos móveis dominam o mercado, iOS desenvolvido pela Apple e Android desenvolvido pela Google. Enquanto que o primeiro é um sistema operacional proprietário, ou seja, uma caixa preta de código fechado, o segundo é parcialmente livre. Parcialmente porque o Android é composto de uma base livre com código aberto chamada de Android Open Source Project (AOSP) mas também de uma base proprietária, ambas desenvolvidas pela Google. Apesar de ser muitas vezes considerado um software livre, essa porção proprietária afeta a confiança do sistema como um todo. É impossível saber com certeza quais dados estão sendo coletados pela Google ou se existe algum tipo de backdoor escondido no sistema. Além disso, na maioria das vezes os dispositivos vem com um número limitado de atualizações o que faz com que fiquemos trancados em versões ultrapassadas e vulneráveis do Android. Outro problema corriqueiro é a falta de espaço de armazenamento porque não é possível excluir apps instalados pelo fabricante e que não utilizamos. Isso tudo somado ao fato que os smartphones são localizadores de alta precisão, constantemente ligados à antenas das operadoras, à sistemas de GPS e todo o tipo de sensores torna esse tipo de dispositivo um pesadelo em termos de segurança.

No entanto existem alternativas de sistemas operacionais para dispositivos móveis totalmente livres. Esses sistemas permitem que xs usuárixs reganhem certo controle sobre seus dispositivos, reduzindo a coleta de dados pela Google e aumentando a vida útil de seu aparelho. Uma dessas alternativas mais bem desenvolvidas e documentadas se chama LineageOS, uma distribuição baseada na porção livre do Android.

>>> Leia mais sobre outras alternativas aos serviços da Google
>>> Leia mais sobre as intenções da Google em Foda-se o Google [PDF]

O processo todo de instalação de um novo sistema operacional (também conhecidos como ROMs) em seu dispositivo varia bastante dependendo da marca e do modelo do celular, e alguns dispositivos sequer possuem maneiras fáceis de fazer essa troca. Nessa postagem vamos fazer um passo-a-passo de como instalar o LineageOS em celulares Samsung.

Antes de começar o tutorial é importante que você tenha em mãos um computador GNU/Linux com adb e heimdall instalados, um celular compatível, uma ferramenta de recuperação (sugerimos TWRP) especifica para o modelo de seu celular, o ROM especifico para o modelo de seu celular e um cabo USB>MicroUSB.

IMPORTANTE: Consulte a lista de modelos compatíveis no site do LineagesOS, como cada ROM é específico para cada modelo, tentar instalar um ROM de outro modelo pode deixar o celular inoperável.

1. No seu celular, libere a depuração USB e ADB nas configurações de desenvolvedor do celular. As vezes as configurações de desenvolvedor estão escondidas. Para encontrá-las você deve entrar no menu “Sobre o Dispositivo”(About) e clicar repetidamente em “Número da Versão” (Build Number).
2. Desligue seu dispositivo, e ligue novamente em modo download segurando vol para baixo + home + power e só então conecte o celular ao computador através do cabo USB. Aceita a responsabilidade de alterar o conteúdo de seu celular navegando com as teclas de volume conforme indicado na tela.
3.  Verifique se a conexão entre o celular e o computadro estão funcionando corretamente. Abra um terminal no seu computador e digite:

heimdall print-pit

Vários dados serão impressos na sua tela e o celular vai reiniciar em modo normal.

4. Desconecte o celular do computador e ligue-o novamente em modo download. Conecte ao computador e instale o arquivo de recuperação que você baixou para o celular usando o seguinte comando:

heimdall flash --BOOT o_nome_do_arquivo_twrp.img --RECOVERY o_nome_do_arquivo_twrp.img

Uma barra de progresso vai indicar o andamento da instalação. Aguarde o término. Uma vez que o processo estiver concluído, o celular irá reinicializar em modo de recuperação.
5. Passe o arquivo do LineageOS que você baixou para o arquivo raiz do cartão de memória do celular usando o adb. Em um terminal dentro da pasta onde o arquivo se encontra digite:

adb push nomedoarquivoLineageOS.zip /sdcard/

6. Faça o backup do seu sistema operacional atual selecionando a opção backup do TWRP.
7. Limpe seu dispositivo com a ferramenta Wipe >Advanced Wipe e selecionando os ítens cache, system e data
8. Volte ao menu principal do TWRP e selecione instalar.

Pronto! Agora é só aproveitar um sistema operacional livre, com atualizações regulares e muitas opções de customizações. Alguns aplicativos populares dependem de serviços proprietários da Google e portanto podem não funcionar perfeitamente. Sempre que possível prefira apps livres. Sugerimos a “loja” de apps F-Droid que tem uma vasta seleção de aplicativos livres.

 

 

Lançamento do livro Manual de Segurança Holística na CryptoRave 2018


Este ano estaremos presentes novamente na CryptoRave, o maior evento de criptografia do mundo! Dessa vez, lançaremos o Manual de Segurança Holística, um livro escrito pelo coletivo Tactical Technology, cuja tradução concluímos recentemente.

O livro é um guia de treinamento em Cultura de Segurança a partir de uma compreensão “holística”, ou seja, uma abordagem que leva em conta além do impacto físico, o impacto em nossa integridade psicológica.

O Manual de Segurança Holística é baseado na compreensão de que segurança é um conceito
profundamente pessoal, subjetivo e influenciado pelo gênero de cada pessoa. Quando trabalhamos
para trazer uma mudança social positiva, podemos enfrentar ameaças e ataques persistentes
que impactam nossa integridade física e psicológica, e muitas vezes afetam nossas amizades
e família. Entretanto, ter uma abordagem de segurança organizada pode nos ajudar a manter
nosso trabalho e nós mesmos ativos.

Este guia é o primeiro a adotar explicitamente uma abordagem “holística” com relação a
segurança e estratégias de proteção para defensores de direitos humanos. Resumidamente,
isso significa que ao invés de olhar separadamente para a importância de nossa segurança
digital, nosso bem-estar psicossocial e dos processos de segurança organizacionais, essa
abordagem tenta integrar tudo isso e destacar suas inter-relações.

Nessa atividade de lançamento, planejamos apresentar brevemente o conteúdo desse manual através de exemplos
de práticas e dinâmicas de treinamento e prática de cultura de segurança.

A atividade acontece no dia 5 de Maio, às 8h00 da manhã, no espaço Ian Murdock.

Além disso, estaremos presentes durante todo o evento com nossa banca de livros e zines.

Nos vemos lá!

Perspectivas Anarquistas sobre a Neutralidade da Net: O Cerceamento Digital dos Bens Comuns

 

Na semana passada, a FCC (Comissão Federal de Comunicações, da sigla em inglês) votou para revogar a Neutralidade da Net nos EUA. Sem essas proteções, as corporações privadas – e a classe que as controla – pode moldar qual a informação fica disponível para as pessoas de acordo com seus próprios interesses. Imagina um futuro onde o conteúdo amplamente disponível na internet é comparável com o que você podia assistir na televisão aberta nos anos 1980! Hoje, os fluxos de informação na internet são quase idênticos com os nossos processos de pensamento coletivo: eles determinam o que podemos discutir, o que podemos imaginar. Mas o problema fundamental é que a internet sempre foi controlada pelo governo e pelas corporações.

É muito representativo que o setor privado tenha transformado de forma progressiva uma estrutura de desenvolvimento militar comparativamente mais horizontal em algo menos participativo e igualitário. Infelizmente, não existe uma alternativa anarquista, uma internet das pessoas para construir em cima; essa é a única. Socialistas de Estado aproveitaram essa oportunidade para promover a nacionalização da internet, argumentando que essa é uma oportunidade de formular uma visão de um futuro melhor. Mas se não queremos que a classe capitalista controle nossa comunicação, o controle pelo Estado não solucionará o problema: afinal é o Estado que está pondo as corporações no controle, e os modelos existentes de controle estatal (pense na China) são tão opressivos quanto os corporativos. Devemos tomar passos pragmáticos para defender nossos direitos no contexto atual. Porém, um quadro baseado em direitos mas que atribui ao Estado um papel de árbitro de questões sociais nunca irá garantir nossa liberdade. Se queremos uma visão verdadeiramente libertária de um futuro melhor, temos que pensar para muito além disso.

Uma abordagem anarquista deve começar por rejeitar a falsa dicotomia entre poder das corporações e poder estatal. A partir daí, precisamos ousar sonhar com formas descentralizadas de infraestrutura que sejam resilientes contra controle de cima para baixo. A internet, na sua forma atual, é de fato indispensável para participar da sociedade; mas isso não significa que devemos tomar a forma atual da internet – ou da sociedade – como o único ou o melhor modelo que existe. Até porque, foram nossos recursos, extraídos de nós na forma de impostos, mão de obra e inovação que ajudaram a criar ambos. O que seríamos capazes de criar se nossos esforços não fossem moldados pelas amarras do Estado e os imperativos do mercado?

Nosso objetivo de longo prazo deveria ser retomar as estruturas que ajudamos a construir, mas teremos que transformá-las para que funcionem de acordo com os nossos interesses – e também podemos começar a experimentar com estruturas paralelas agora mesmo. Até reformistas devem reconhecer que fazer isso é praticamente a única forma de ganhar influência sobre aqueles que hoje controlam os meios pelos quais nos comunicamos.

A tecnologia nunca é neutra. É sempre política: sempre expressa e reforça as dinâmicas de poder e aspirações que estiveram lá desde o início. Se engenheirxs e programadorxs não constroem a partir de um enfoque político com a intenção explícita de criar relações igualitárias, seu trabalho sempre será usado para concentrar poder e oprimir as pessoas.

Para saber mais sobre as limitações codificadas no cerne do mundo digital pelo capitalismo, leia Desertando a Utopia Digital. Para detalhes sobre o fim da Neutralidade da Net e as alternativas radicais ao controle corporativo, leia o seguinte texto de Willian Budington, também entrevistado pelo audiozine The Final Straw.

Texto original em crimethinc.com/2017/12/15/anarchist-per…

Servidor do CMI da Alemanha é apreendido

Na semana passada uma forte onda de repressão contra movimentos sociais foi deflagrada em diversos países da Europa Ocidental. Essa medida foi em grande parte uma resposta às grandes manifestações que ocorreram na cidade de Hamburgo, Alemanha, durante o encontro anual do G20 que aconteceu em julho desse ano. Como parte dessas ações de repressão, houveram invasões em centros sociais, detenções e apreensão de equipamentos em diversos países. Na Alemanha a polícia apreendeu os servidores do site linksunten.indymedia.org, o principal coletivo de midia independente da Alemanha. Como muitos dos sites do IndyMedia.org ao redor do mundo, o site era um importante ponto de divulgação de manifestações e eventos, vazamento e difusão de informações e plataforma de debate e organização. Em comunicado o coletivo promete retornar em breve. Leia artigo que saiu originalmente no site do Centro de Midia Independente daqui:

O governo alemão proibiu o site do coletivo Indymedia Linksunten linksunten.indymedia.org, a plataforma de língua alemã mais utilizada por organizações políticas radicais. Eles também realizaram batidas na cidade de Freiburg para apreender computadores e perseguir aqueles que acusam de administrar o site, absurdamente justificando isso com base na acusação de que os supostos adminstradores são parte de uma organização ilegal com o objetivo de destruir a Constituição Alemã. Isso representa uma escalada maciça na repressão estatal contra o que as autoridades chamam de “extremismo de esquerda”, sugerindo, de forma nada ingenua, uma equivalência entre aqueles que procuram construir comunidades fora do alcance da violência estatal e neonazistas se organizando para realizar ataques e assassinatos como o de Charlottesville na semana passada.

Indymedia foi fundado na Alemanha em 2001 como de.indymedia.org; uma segunda versão apareceu em 2008 como linksunten.indymedia.org. Este último foi fundado para se concentrar em ações políticas radicais no sul da Alemanha, mas logo se tornou a página mais utilizada para ativistas de língua alemã. Como a página original do Indymedia alemão tornou-se tecnicamente desatualizada e inundada por trolling, mais e mais pessoas mudaram para o linksunten.indymedia.org. Em 2013, de.indymedia.org estava quase fechado porque não havia pessoas suficientes envolvidas .

Nos últimos dois anos, mais e mais atenção se acumulou em torno de linksunten, que oferece um espaço para que as pessoas postem anonimamente. Por exemplo, em 2011, um comunicado apareceu na plataforma reivindicando a responsabilidade por sabotagem politicamente motivada na infra-estrutura do metrô em Berlim. O site também foi usado para divulgar informações sobre fascistas e neonazis. Em 2016, um artigo no linksunten apresentou os dados completos de cada participante na convenção do Partido Nacionalista de extrema direita Alternativa para a Alemanha ( Alternative für Deutschland ou AfD), um total de 3000 nomes. Isso atraiu ainda mais a atenção hostil dos defensores de extrema-direita da repressão estatal.

Antes do encontro do G20 de 2017 ter ocorrido em Hamburgo, a mídia corporativa já estava focada em linksunten, declarando que a página servia como coordenação de manifestantes anti-G20. O AfD começou uma campanha contra a plataforma, levando inquéritos sobre o Indymedia no parlamento federal e tentando forçar os governos locais a proibirem a plataforma e outras formas de infra-estrutura radical .

Tudo isso contribuiu para atual situação em que o Ministro do Interior Thomas de Maizière proibiu o site em 25 de agosto, imediatamente antes das eleições. O Estado invadiu três lugares, incluindo um centro social, em Freiburg, tornando toda a cidade sitiada neste dia. Durante as incursões, eles supostamente encontraram alguns estilingues e paus, que agora estão usando como justificativa adicional para sua propaganda sobre o terrorismo .

Na verdade, Thomas de Maizière está seguindo a agenda da extrema direita e fascistas alemães, bem como os objetivos repressivos do AfD.

Claro que aqueles que mantêm o site não escreveram nada que pudesse oferecer motivos legais para este ataque. Mesmo as plataformas de mídia corporativa oferecem espaço para que as pessoas falem anonimamente – por exemplo, quando membros do Departamento de Estado falam com a imprensa sob condição de anonimato. A desculpa que o Estado está usando para justificar este ataque é declarar que aqueles que mantêm o site de linksunten são uma organização criminosa destinada a destruir a Constituição Alemã. Este é um subterfugio legal. Se for bem sucedido, poderá ser facilmente usado contra outras plataformas, revistas e projetos, fazendo com que todos divulgando literatura e ideias radicais e documentando ativismo e movimentos sociais se tornem alvos desse tipo de repressão e violência estatal. Essa é a mensagem que eles querem enviar, a fim de intimidar toda a população a aceitar que a atual ordem política na Alemanha persistirá até o fim dos tempos.

Esta abordagem agressiva mostra o quão amedrontadas as autoridades estão, que ideias radicais estão se espalhando e tornando-se contagiosas após as demonstrações bem-sucedidas contra a cúpula do G20 em julho. Thomas de Maizière deixou claro o suficiente na sua coletiva de imprensa que essa agressão à Indymedia é uma forma de vingança pelo constrangimento que o Estado sofreu durante a cúpula. Isso também mostra como a retórica de extrema direita e estatista é desonesta sobre a liberdade de expressãona verdade, esses hipócritas usam esse discurso somente para reprimir o discurso dos outros. A solução para os fascistas se organizando não é capacitar o Estado para censurar o discurso, mas mobilizar a população em geral contra os fascistas e contra a infra-estrutura estatal que a extrema direita pretende assumir.

Na Alemanha e em todo o mundo, precisamos de teoria e prática radicais; precisamos de espaços onde as pessoas possam se comunicar anonimamente, de modo a não serem intimidadas pelas ameaças duplas da repressão estatal e da violência fascista de base. Para entender movimentos e lutas sociais, para que nossa noção de história não seja varrida em uma torrente de efemeridades, precisamos de repositórios que preservem as comunicações e as contas. Como um autor uma vez disse, a luta da humanidade contra o poder autoritário é a luta da memória contra o esquecimento. Para lutar contra essa repressão autoritária, agora é mais importante do que nunca divulgar material e ideias revolucionárias em todos os lugares e provocar formas alternativas de se comunicar entre si e com o público em geral em tempos de intensificação da censura e do controle estatal. Quanto mais cada um de nós assumir um papel pessoal nessa tarefa, mais descentralizadas e resilientes serão nossas redes.

Se eles vierem por nós esta noite, você pode ter certeza de que virão por você pela manhã.

O ataque ao Indymedia faz parte de uma ofensiva muito maior contra as estruturas radicais. Em Hamburgo, mais de 30 pessoas estão presas desde o encontro do G20 em julho – apoie aqui! . Quanto ao Indymedia, em breve haverá páginas de apoio também. Nós as publicaremos aqui quando aparecerem.

Postscript animador

Quando visitamos o linksunten.indymedia.org depois do post original deste artigo, nós encontramos a seguinte mensagem, junto com o link para o artigo originalmente publicado no Crimethinc e uma imagem fazendo referência ao efeito Streisand, o processo onde os esforços para censurar informações causa sua difusão ainda mais agressiva. O texto desapareceu deste então, mas comprova que pessoas foram capazes de recobrar o controle do domínio, pelo menos por um período. O original estava em alemão, francês e inglês. Esta é uma tradução em português.

[nota da tradução em português: o texto, conforme publicado em https://enoughisenough14.org/2017/08/26/linksunten-we-will-be-back-soon-greetz-from-streisand/ aponta o texto como partes da Declaração de Independência do Espaço Cibernético, escrita por John Perry Barlow em 1996, declaração completa em inglês aqui: https://www.eff.org/de/cyberspace-independence].

Voltamos logo….

Governos do Mundo Industrial, seus cansados gigantes de carne e aço, eu venho do Ciberespaço, o novo lar da Mente. Em nome do futuro, eu exijo a vocês do passado para nos deixar em paz. Vocês não são bem-vindos entre nós. Vocês não possuem soberania onde nos reunimos.

Não temos um governo eleito, nem mesmo é provável que tenhamos um, portanto eu me dirijo a vocês sem autoridade maior do que aquela com a qual a liberdade em si sempre se manifesta. Declaro o espaço social global que estamos construindo naturalmente independente das tiranias que buscam nos impor. Vocês não tem direito moral de nos reger nem possuem nenhum método de repressão que tenhamos verdadeira razão para temer.

Governos derivam seus poderes justamente do consentimento dos governados. Vocês nem solicitaram ou receberam o nosso. Nós não convidamos vocês. Vocês não nos conhecem, nem conhecem o nosso mundo. O Ciberespaço não se limita às suas fronteiras. Não pensem que vocês podem construí-lo, como se fosse um projeto de construção pública. Vocês não podem. É uma força da natureza, e ela cresce através das nossas ações coletivas.

[….]

Na China, Alemanha, França, Rússia, Singapura, Itália e EUA, vocês estão tentando repelir o vírus da liberdade erguendo postos de guarda nas fronteiras do Ciberespaço. Isso pode manter o contágio afastado por um curto tempo, mas eles não funcionarão em um mundo que em breve será coberto por bits.

[….]

Estas crescentes medidas hostis e coloniais nos colocam na mesma posição dos antigos amantes da liberdade e auto-determinação que tiveram que rejeitar as autoridades do passado, poderes desinformados. Precisamos declarar nossos seres virtuais imunes a sua soberania, mesmo que continuemos a consentir com sua regulação dos nossos corpos. Vamos nos espalhar através do Planeta para que ninguém possa prender nossas ideias.

[….]

Texto originalmente publicado por CrimethInc em https://crimethinc.com/2017/08/25/german-government-shuts-down-indymedia…

Escolhendo Softwares mais Seguros

https://i.kinja-img.com/gawker-media/image/upload/s--L6r0n9ZG--/c_scale,fl_progressive,q_80,w_800/18q38gyuqtgufjpg.jpg

Existe uma infinidade de opções na hora de escolher qual software ou serviço utilizar para lidar com necessidades simples como receber e gerenciar emails ou se conectar com nossxs amigxs. Porém, muitos dos softwares populares ignoram sua privacidade ao vender seus dados para qualquer empresa disposta a comprá-los. Alguns serviços vão ainda mais longe e hospedam seus dados diretamente em servidores de agências de espionagem e repressão como a NSA, a CIA e a GCHQ. Essa violação absurda do direito à privacidade faz parte de um programa do governo dos EUA chamado Prism, e veio a tona através dos documentos vazados por Edward Snowden.

No entanto, existem muitos serviços menos conhecidos que estão comprometidos com a privacidade e a segurança dos dados de seus usuárixs. São serviços baseados em software com código aberto e desenvolvidos por uma comunidade engajada em lutar pela internet livre. Para facilitar o acesso a esse tipo de software e promover o uso dessas ferramentas, existem dois sites que reúnem uma lista delas. Esses sites comparam os serviços proprietários e espiões com serviços similares, porém livres. Fica fácil trocar para software livre ao invés de utilizar programas que vendem seus dados e os compartilham com agências espiãs. Dê uma olhada nessas listas e mude para opções mais seguras.

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