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Tag Archives: signal

O aplicativo Signal é uma das melhores opções neste momento para a comunicação via espertofone. Este mensageiro instantâneo criptografa suas mensagens de forma que somente você e a pessoa para quem você as enviou possam ler o conteúdo. Chamamos isso de criptografia de ponta a ponta. Porém, outros cuidados são necessários para manter sua conversa sigilosa. Como a criptografia é uma técnica muito forte de privacidade, os atacantes irão procurar outros meios mais fáceis, simples e baratos de conseguir suas informações, caso você seja um alvo visado individualmente.

Aviso: todos os meios de comunicação e aplicativos possuem vantagens e desvantagens. Estude, avalie, converse com suas amizades que possuem conhecimento técnico para mais informações. Uma rede de confiança é essencial para não termos que fazer tudo sozinhas.

A criptografia em si é confiável e ela depende muito mais da forma como é implementada (em nível de código) e não tanto do que você faz. Aplicativos como Signal e o zap se propõem a fazer tudo por você (chamamos isso de criptografia transparente; ela acontece sem que a gente veja). Porém, sua privacidade vai além da criptografia e também está vinculada às suas práticas cotidianas. Como disse um dos criadores do algoritmo RSA para criptografia, Adi Shamir, “a criptografia geralmente é desviada e não atacada de frente”. Então, preste atenção na sua parte dessa história:

Apague suas mensagens

Configure cada uma de suas conversas com um temporizador. A importância desta recomendação não está no canal usado para se comunicar, mas no armazenamento local. Caso alguém tenha acesso ao seu dispositivo não criptografado (seja por encontrar seu espertofone desbloqueado por acaso ou por você ser forçada a entregar sua senha), não encontrará nada lá dentro.

Escolha um contato, vá nas opções e aperte Mensagens Temporárias.

Depois, escolha um tempo que seja útil para você.

A mesma medida pode ser feita com qualquer forma de comunicação digital, como email ou zap. Por exemplo, vá na sua caixa de entrada e apague suas mensagens antigas.

Não faça backup na nuvem

Como consequência do primeiro ponto, não faça cópia da sua comunicação em serviços de terceiros. O Signal até oferece a opção de backup na memória interna do seu espertofone com proteção de uma senha de 30 números. Novamente, você ainda pode ser forçada (legalmente ou através de violência física) a fornecer suas senhas. (Outros aplicativos como zap ou i-messenger usam g-drive ou icloud para guardar uma cópia das suas mensagens, o que faz com que a criptografia de ponta a ponta seja TOTALMENTE anulada.)

Não aconselhamos nenhum tipo de backup.

Zóião

Cuidado com pessoas olhando por cima do seu ombro enquanto você lê e escreve suas mensagens e principalmente quando desbloqueia o app ou seu espertofone. Tenha atenção também com câmeras de vigilância. Recomendação simples: fica de costas para uma parede e toca ficha.

Verifique o Número de Segurança de seus contatos

Para ter certeza de que você está conversando com a pessoa certa, é importante verificar a chave criptográfica de seu contato. A melhor maneira de fazer isso é pessoalmente.

Lidar com a segurança de forma presencial pode nos ajudar a fortalecer nossos vínculos.

O Signal facilita esse processo de verificação: é só tocar no nome do contato de quem você quer verificar a chave dentro da própria conversa, rolar até a seção Privacidade e então tocar em Ver Número de Segurança.

Agora toque no seu código QR para abrir a câmera e escanear o código de seu contato. Se aparecer um ícone verde é porque deu tudo certo e agora você pode tocar em Verificado. Peça para seu contato repetir o processo e verificar o seu código. Depois disso fique atenta a qualquer aviso de mudança de Número de Segurança.

Configure um número PIN

O Signal (assim como o zap e o telegram) usa o seu número de telefone para fazer um cadastro único na rede interna do programa. Para evitar que outras pessoas usem sua conta do Signal porque conseguiram clonar seu número ou porque seu número foi vendido duas vezes pela cia de telefone (ou porque as agências de inteligência de Estado querem se passar por você com o apoio das telefônicas), você pode configurar um PIN de bloqueio de conta.

No Signal, vá em Configurações, Privacidade, role até a parte de baixo da tela e pressione em “PIN de Desbloqueio de Cadastro“.

Escolha um número e memorize-o. Quando você for usar o signal no PC ou em outro aparelho, esse PIN será exigido como forma de autenticação.

Rede de confiança

A comunicação em geral, assim como nossa organização, envolve várias pessoas e isso significa que todo mundo deve compartilhar práticas semelhantes de segurança. Por exemplo, essas mesmas precauções listadas aqui precisam ser entendidas e seguidas por todas as partes. Dessa forma, uma rede de confiança com respeito à comunicação segura vai se formando aos poucos. (Falaremos mais sobre rede de confiança em outra postagem). Lembre-se, a corrente sempre arrebenta no elo mais fraco. Ajude as pessoas do seu entorno a ficarem fortes com você.

tirado da Folha.

Brecha do WhatsApp permite espionar mensagens criptografadas, diz jornal

Um pesquisador da Universidade da Califórnia descobriu uma brecha de segurança do WhatsApp que pode ser usada pelo Facebook e por outras instituições para interceptar e ler mensagens criptografadas enviadas no aplicativo.

De acordo com o jornal “Guardian”, Tobias Boelter, especialista em criptografia e segurança, encontrou o atalho. “Se agências do governo solicitarem ao WhatsApp o registro de mensagens, a empresa pode conceder esse acesso devido a uma mudança de chaves [de segurança]”, disse ele à publicação britânica.

O Facebook, que controla o WhatsApp, afirma que ninguém pode interceptar essas mensagens —nem mesmo a empresa e sua equipe—, o que garante a privacidade dos usuários.

O sistema de segurança gera chaves de segurança exclusivas, por meio do protocolo Signal, desenvolvido pela Open Whisper Systems.

A criptografia “end to end” é um sistema utilizado pelo aplicativo para que a mensagem saia com uma espécie de “cadeado invisível” do dispositivo que a envia e só seja decodificada quando chega ao aparelho do receptor. Nos servidores da empresa, não são retidos nenhum vestígio do conteúdo dessas mensagens.

A segurança do WhatsApp baseia-se na geração de chaves de segurança exclusivas, usando o aclamado protocolo Signal, desenvolvido pela Open Whisper Systems, que é negociado e verificado entre usuários para garantir que as comunicações são seguras e não podem ser interceptadas por um intermediário.

No entanto, o WhatsApp tem a capacidade de forçar a geração de novas chaves de cifração para usuários off-line, sem que remetente e destinatário da mensagem original tenham ciência disso, e pode forçar o remetente a recifrar mensagens com novas chaves e enviá-las de novo, em caso de mensagens que não tenham sido marcadas como entregues.

O destinatário não é informado dessa alteração na criptografia, enquanto o remetente é notificado somente se eles tiverem optado por avisos de criptografia nas configurações e somente após as mensagens terem sido reenviadas. Esta re-criptografia e retransmissão efetivamente permite que o WhatsApp intercepte e leia as mensagens dos usuários.

Segundo o “Guardian”, Boelter relatou a vulnerabilidade ao Facebook em abril de 2016. A resposta foi que a empresa estava ciente do problema, que era um “comportamento esperado” e não estava sendo trabalhado.

Um porta-voz da WhatsApp disse ao “Guardian” que “mais de 1 bilhão de pessoas usam o WhatsApp hoje porque é simples, rápido, confiável e seguro. Sempre acreditamos que as conversas das pessoas devem ser seguras e privadas. No ano passado, demos a todos os nossos usuários um nível de segurança melhor, fazendo com que cada mensagem, foto, vídeo, arquivo e chamada de ponta a ponta sejam criptografados por padrão. À medida que introduzimos recursos como criptografia de ponta a ponta, nos concentramos em manter o produto simples e levar em consideração como ele é usado todos os dias em todo o mundo.”

“Na implementação do protocolo Signal adotada pelo WhatsApp”, acrescentou o porta-voz ao “Guardian”, “temos uma opção de configuração que permite exibir notificações de segurança, e ela notifica usuários sobre alterações em seu código de segurança. Sabemos que o principal motivo para que isso aconteça é que as pessoas troquem de celular ou reinstalem o WhatsApp. Isso acontece porque, em muitas partes do mundo, as pessoas frequentemente trocam de aparelho e de chip. Nessas situações, queremos garantir que as mensagens enviadas a elas sejam entregues e não fiquem perdidas no caminho”.

Steffen Tor Jensen, vice-presidente de segurança da informação e de combate à vigilância digital na Organização Europeia-Bahraini para os Direitos Humanos, verificou as descobertas de Boelter. “O WhatsApp pode efetivamente continuar lançando as chaves de segurança quando os dispositivos estão offline e reenviando a mensagem, sem deixar os usuários saberem da mudança até que ela tenha sido feita, fornecendo uma plataforma extremamente insegura”, disse ele ao jornal.

A professora Kirstie Ball, fundadora do Centro de Pesquisa em Informação, Vigilância e Privacidade, chamou a existência de atalho dentro da criptografia do WhatsApp “uma mina de ouro para agências de segurança” e “uma enorme traição à confiança do usuário”.

“É uma enorme ameaça à liberdade de expressão. Os consumidores dirão, eu não tenho nada a esconder, mas você não sabe que informação é procurada e que conexões estão sendo feitas”, completa.

Ativistas de privacidade disseram que essa vulnerabilidade é uma “enorme ameaça à liberdade de expressão” e advertiram que ela pode ser usada por agências governamentais para espionar as pessoas, que acreditam que suas mensagens são seguras.