CripTainha: Criptofesta em Florianópolis no dia 6 de Julho

CriptoFesta em Florianópolis – SC no dia 06/07/19, com chamado de atividades aberto até 22/06/19.

Com a Criptainha queremos construir um encontro aberto, fraterno e divertido para a troca de experiências sobre tecnologia, política, criptografia, segurança holística, software livre, arte e cultura e o que mais cair na rede.

O evento acontecerá em um sábado, 06/07, no Instituto Arco-Íris que fica no centro, em local muito próximo do terminal central e da rodoviária. É um local muito especial para a cena politico-cultural e de defesa de direito humanos na cidade.

Convidamos a tod@s que inscrevam suas atividades até o dia 22/06. Nosso site e o evento em si estão em construção, e ao longo dos próximos dias vamos lançando mais informações.

Clique no enlace para ler o texto completo do chamado.

Estados Democráticos e seus Efeitos Colaterais: Evaldo e Luciano mortos, Assange e Ola Bini presos

No dia 8 de Abril de 2019 o carro de uma família foi fuzilado por 80 tiros no Rio de Janeiro. Dentro estavam o músico Evaldo dos Santos Rosa, que dirigia, o sogro no banco de passageiro, também baleado e, no banco de trás, a companheira do músico, Luciana dos Santos, o filho do casal, de sete anos, e uma amiga.

Os disparos foram feitos por nove militares do Exército Brasileiro, que assassinaram Evaldo e também Luciano Macedo, catador de materiais recicláveis que tentou ajudar a família. A cena da dor de Luciana em frente ao carro perfurado por balas onde se encontrava o corpo do seu companheiro chocou o mundo.

A dor de Luciana dos Santos

No dia seguinte ao crime, o Comando Militar do Leste divulgou uma nota em que dizia que Evaldo e seu sogro eram criminosos. Ambos foram acusados de atirar contra os militares, que revidaram. A nota mentirosa contradizia completamente as imagens divulgadas na internet e os relatos das testemunhas, mas reproduzia o modus operandi das dezenas de “autos de resistência” que acontecem diariamente pelo país.

Evaldo, Luciano e o carro crivado de tiros

Em 11 de Abril, do outro lado do Atlântico Julian Assange era preso em Londres pela polícia Britânica após ser expulso da embaixada do Equador, lugar onde ficou asilado (praticamente preso) durante sete anos, buscando evitar responder por uma acusação de abuso sexual na Suécia, que poderia levá-lo a uma extradição para os EUA.

Julian Assange Preso

Assange ficou conhecido ao tornar-se a face pública da Wikileaks, que ganhou grande repercussão mundial após a divulgação em abril de 2010 de um vídeo chamado “Assassinato Colateral”, que mostrava o massacre covarde de uma dúzia de civis desarmados no Iraque por um helicóptero Apache do Exército dos EUA.

Assassinato Colateral, Iraque, 2007.

Na quinta passada, por 11 votos a 3, os ministros do STM (Superior Tribunal Militar) decidiram por conceder liberdade aos nove militares envolvidos na ação, sendo que a única ministra acusou os militares de manipulação de provas. No mesmo dia o Departamento de Justiça dos EUA apresentou 17 novas acusações contra Assange, que pode enfrentar décadas de prisão após ser acusado de violar a Lei de Espionagem, despertando preocupações de parte da imprensa americana com o cerceamento da liberdade de expressão.

Dois casos que apesar de em contextos distintos nos mostram com clareza a natureza autoritária, hipócrita e assassina dos Estados “Democráticos” e suas Instituições.

Assange foi preso por ajudar a revelar a natureza imperial e assassina dos EUA, o que provavelmente nunca teria ocorrido sem que Chelsea Manning, que serviu ao exército, fornecesse as informações necessárias. Chelsea que passou anos na prisão, sendo a sua detenção mais recente ainda este ano após ter se negado a depor em um caso envolvendo a Wikileaks.

Chelsea Manning

A mais recente vítima desta trama é o desenvolvedor de software Sueco Ola Bini, preso no aeroporto de Quito em 11 de abril, no mesmo dia da prisão de Assange. Seus direitos básicos foram negados: ele não foi informado das acusações e foi mantido sob custódia ilegal sem poder se comunicar com o cônsul sueco. Ola Bini é acusado de “conspirar” com hackers russos e colaborar com a Wikileaks para prejudicar o governo do presidente Lenin Moreno, que entregou Assange de bandeja para seus algozes imperialistas.

Ola Bini

As máscaras vão caindo para aqueles que ainda acreditavam no Estado Democrático de Direito, ou mesmo nas liberdades burguesas, como mostra o caso de Assange com relação a liberdade de expressão, em um processo capitaneado pelos Estados Unidos, ainda sob governo do democrata Barack Obama, e continuada por Donald Trump, com complacência do Reino Unido, da Austrália, Suécia e agora do Equador.

Já aqui no Brasil os “assassinatos colaterais” ocorrem diariamente na guerra contra o seu próprio povo, negro e pobre. Evaldo foi “confundido com bandidos”, estas pessoas que podem ser mortas livremente, desde que se encaixem com determinado perfil bem conhecido por nosso Estado racista e suas policias e forças armadas servis as elites.

Ações que parte da população aplaude ou faz pouco caso, endossando o discurso fascista que ajudou a eleger Bolsonaro e que fornece o apoio popular necessário para a aprovação de projetos de lei como o “PL-Anticrime” do ex-juiz Sérgio Moro, que promete diminuir pena ou mesmo isentar de responsabilização penal policiais que matem em serviço. Não é a toa que o governador do Rio, o também ex-juiz Wilson Witzel se sentiu a vontade para participar de uma operação policial em um helicóptero ao lado de snipers para “dar fim à bandidagem”, e que acabou por metralhar uma tenda evangélica, quase repetindo mais um “assassinato colateral”.

Witzel, governador do Rio no helicóptero em operação que prometia “acabar com a bandidagem”

Os recados são claros: em tempos de crise global do capitalismo, mudanças climáticas e disputas geopolíticas as forças repressivas do Estado se voltam para marginalizar e vigiar ainda mais as classes subalternas, as populações saqueadas pelas guerras e as minorias. Para levar a cabo seus projetos autoritários estes governos precisam contar com uma mobilizada base de apoio,  para a qual não faz diferença moral saber das atrocidades cometidas.

Aquelas que ousarem se levantar contra o status-quo serão acusadas de traidores e duramente reprimidas. Se organizar e tomar medidas para melhorar nossa segurança são imperativos para quem está disposto a resistir aos tempos sombrios que se avizinham, e para quem ainda acredita que outros mundos são possíveis.

Entrevista para o Portal Planeta Minas Gerais

O Portal Planeta Minas Gerais fez uma entrevista conosco em nossa passagem pela CriptoTrem. Confira a entrevista, em duas partes:

Parte 1: Proteção e segurança digital: um convite à militância | Planeta Minas Gerais.

Parte 2: Bolsonaro, censura, perseguição digital e auto segurança em tempos de fascismo

Apresentação e Roda de Conversa sobre Segurança de Pés de Descalços na CryptoRave 2019

Neste sábado, das 12:40 às 13:30 do dia 04 de Maio vai acontecer na CryptoRave uma Roda de Conversa sobre a Segurança de Pés de Descalços. Acreditamos que será um espaço importante para contextualizar melhor esta proposta, bem como debater sobre uma visão estratégica para promover uma Cultura de Segurança. Venha e participe!

Este ano a CryptoRave acontecerá na Biblioteca Mário de Andrade, pertinho do Metrô Anhangabaú (linha vermelha), em São Paulo Capital.

A programação completa do evento pode ser vista em: https://cpa.cryptorave.org/en/cr2019/events/388

CriptoTrem – 13 de abril em Belo Horizonte (MG)

A primeira edição da CriptoTrem acontece em BH no dia 13 de abril de 2019, com um sábado dedicado a atividades, rodas de conversas, oficinas e debates para iniciantes e iniciados sobre o atual contexto de cultura de segurança, anonimato, hacking, vigilância e liberdade na rede.

Com o tema BH pela Privacidade, Igualdade e Liberdade na Rede, serão 13 horas de programação ininterruptas, contando com palestras, rodas de conversas, debates, oficinas, apresentações, installfest e uma bela festa para encerrar o evento, celebrando a resistência, as liberdades e a democracia nas redes!

A CriptoTrem é parte do movimento global das CriptoFestas ― eventos que têm como meta difundir práticas e discussões sobre autodefesa no espaço digital: comunicação segura, navegação anônima, introdução ao Linux, entre outros.

Ao reunir especialistas – técnicos e estudiosos -, movimentos sociais e novatos no assunto o evento visa garantir conhecimento acessível para todas as pessoas sobre um assunto que cada vez mais vai determinar o modelo socio-político e tecnológico em que vivemos: o processamento de dados em massa.

O objetivo principal da CriptoTrem é disseminar e perpetuar uma cultura de privacidade que permita que a criatividade, a livre expressão e o direito à organização possam existir.

Fonte: divulgação do grupo

Divulgue! https://criptotrem.org/

Novo visual e atualização de Quem Somos

Como muit@s já notaram, demos uma bela polida na nossa concha e estamos com um novo visual para a versão 2019! O novo tema faz um melhor aproveitamento de tela e possui fontes maiores com maior contraste. Também demos uma reorganizada geral nas nossas seções, visando mais organização e categorização das informações.

Aproveitando o embalo, também atualizamos a seção “Quem Somos”, onde apontamos nosso horizonte político, nossos valores e os caminhos que encontramos para chegar lá. A figura abaixo fica para instigar a leitura 🙂

Roda de Conversa sobre Cultura de Segurança no evento Hackeando a Cidade – Floripa 25/11

 

 

 

Neste Domingo de tarde acontece em Floripa o evento “Hackeando a Cidade”, organizado pelo pessoal do Quadrado em parceria com o Tarrafa Hacker Clube.

Durante o evento iremos participar junto com o pessoal do Tarrafa de uma roda de conversa sobre Cultura de Segurança.

O evento será no Quadrado, ou Pomar do Ciclista: um espaço ocupado e auto gerido na baia sul que serve de ponto de encontro para ciclistas e para a comunidade em geral. Aqui estão as instruções para chegar lá.

Abaixo a programação completa e descrição do evento. Chega maix!

~# Que história é essa de Hackear?
Hackear nada mais é do que utilizar alguma coisa para além do que foi idealizada. Explorar todos os recursos possíveis e impossíveis, esgotar as possibilidades de uso de alguma coisa, criar novos caminhos para chegar à algum objetivo.

~# O que é a cidade? Qual sua função? O que você pode fazer para melhora-la?

~# Nós do Quadrado, por exemplo, hackeamos a cidade construindo um parque com as próprias mãos, de pessoas para pessoas, numa área negligenciada pelo poder público depois de muitos anos aguardando promessas que são só promessas.

~# Neste domingo (25/11), numa parceria com o Tarrafa Hacker Clube que é um laboratório comunitário onde pessoas com interesses em comum em qualquer área do conhecimento humano se encontram para compartilhar conhecimentos e colaborar em projetos conjuntos, estaremos proporcionando um dia de discussões, oficinas e exposições, finalizando com um Cinetarrafa no aterro!

atrações@confirmadas

~# Oficina de Ecoprint com Roberta Kremer
A Ecoprint é uma técnica de estamparia onde toda coloração é extraída de flores e plantas.
https://www.facebook.com/events/2163373947214129/?ti=icl

~# Roda de conversa sobre ocupação do espaço público em Florianópolis: relatos do Quadrado e da Ponta Do Coral.

~# Roda de Conversa com Lauro Filho
Resiliência e Carpintaria: uma conversa sobre pensar, esperar e martelar
Um diálogo filosoficamente direcionado sobre o momento atual e a importância do cuidado-de-si. Uma visão de como o trabalho manual nos torna mais resilientes e conscientes de nós mesmos e de tudo que nos cerca. Ao final, teremos algumas noções básica sobre carpintaria manual: ferramentas, usos, materiais e projetos.

~# Roda de conversa com Coletivo Mariscotron e Tarrafa Hacker Clube
Cultura de segurança: boas práticas para autodefesa digital e comportamental.

~# Cinetarrafa no Aterro apresenta:
Nothing to Hide (2017)
Um documentário independente que trata da vigilância e sua aceitação pelo público em geral através do argumento “Não tenho nada a esconder”.

O que o caso do Facebook versus MBL pode ensinar para as esquerdas

No dia 25 de Julho o Facebook retirou do ar uma rede de páginas e perfis ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL), movimento de direita protagonista no Golpe de 2016. Foram desativadas 196 páginas e 87 contas com a justificativa de “formarem uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”.

Parte da esquerda aplaudiu a ação, afinal o MBL apoia projetos de censura e perseguição politica de educadores em escolas (projeto Escola Sem Partido, que mais deveria se chamar Escola de Partido Único), foi um dos principais responsáveis pelo cancelamento de exposições Queer em museus e espalhou mentiras sobre a militante e vereadora do PSOL Marielle Franco, executada este ano.

Motivos não faltam para odiar o MBL e sua máquina de propaganda, que espalha mentiras de forma organizada no terreno fértil em que cresce o fascismo de verniz “liberal” no Brasil. Entretanto é necessário levantar alguns questionamentos e hipóteses sobre este acontecimento para o campo politico da esquerda, sem perder de vista o contexto mais amplo onde está inserido.

O ano eleitoral e o efeito Cambridge Analytica

Em Março deste ano o Facebook amargou um encolhimento de US$ 35 bilhões na bolsa de valores dos Estados Unido após a divulgação do escândalo da Cambridge Analytica, empresa que utilizou de forma não consentida informações privadas de 50 milhões de usuários em consultorias politicas, como a que influenciou o plebiscito de saída do Reino Unido da União Europeia e a campanha de Donald Trump para Presidente do Estados Unidos (ambos objetivos bem sucedidos).

Em ano eleitoral no Brasil, já surgem propostas de projetos de lei para criminalizar a elaboração e divulgação de Noticias Falsas, algo que existe antes mesmo da revista Veja (especialista neste quesito), mas que virou o centro das atenções nos últimos tempos, cunhando o termo “Pós verdade” e ganhando até nome gringo (Fake News). Recentemente, o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral afirmou que poderá anular o resultado de uma eleição se esse resultado for decorrente da difusão massiva de notícias falsas.

Ao tirar parte da máquina de propaganda do MBL do ar, o Facebook pode estar tentando se precaver de amargar mais prejuízos em um outro grande escândalo politico. O dinheiro que continuariam a ganhar com esta rede financiada de forma obscura pode ser recuperado somente com a polêmica que a decisão da empresa tomou, vide o próprio MBL que está protestando dentro da própria plataforma. Além disto, como bem apontou matéria do The Intercept, apenas parte destas máquinas de propaganda da extrema-direita foram alvo da empresa, o restante continua gerando lucro.

O projeto neoliberal e o isolamento da dissidência “radical”

Com o crescimento da extrema-direita no mundo é possível notar um movimento feito pelo stablishment neoliberal de criação do conceito de um novo “centro politico”, onde se agrupam candidatos com ideias alinhadas ao status quo. Isto aconteceu na França com a disputa de Macron (o candidato neoliberal) versus Marine Le Pen (da extrema-direita), e tem sido reproduzido aqui no Brasil, com Alckimin sendo chamado de “candidato de centro” por veículos da grande imprensa. Por sua vez, a esquerda mais tímida e social democrata também é empurrada para o “extremo”, sendo chamada de “extrema-esquerda” ou “esquerda radical”, como aconteceu com Bernie Sanders nos EUA, Mélenchon na França.

Se a esquerda social-democrata é considerada radical e até perigosa (Lula está preso), o que dirá a imprensa sobre os Anarquistas e Comunistas, ou integrantes de Movimentos Sociais que batem de frente com o sistema capitalista? Em um Brasil cada vez mais autoritário não faltam sinais de que o cerco estatal está se fechando sobre estes grupos, como demonstra a perseguição politica a participantes de centros culturais e grupos anarquistas em Porto Alegre ano passado, a condenação a 7 anos de prisão de 23 ativistas que participaram de protestos no Rio contra o ex-governador Cabral e a Copa de 2014 e o indiciamento de 18 manifestantes por portarem materiais de primeiros socorros antes de um protesto contra Temer em São Paulo em 2016, sendo que este último caso teve grande repercussão por envolver um Capitão do Exército infiltrado nas investigações (o caso “Balta”). Sem contar todos os lutadores “anônimos” assassinados na luta pela terra ou em defesa do meio ambiente, no país que mais mata militantes desta causas.

Com este panorama aterrador, o que impede uma empresa como o Facebook de utilizar o mesmo remédio amargo utilizado contra o o MBL em grupos “radicais” e “extremistas” de esquerda, que poderiam muito bem através da construção midiática já em curso serem pintados para a opinião pública como terroristas e pregadores da violência? Ou então fornecer de bom grado informações de militantes e suas organizações para órgãos de repressão do governo?

Os Ministérios da Verdade S.A

A preocupação com a proliferação das noticias falsas é pertinente, mas também aponta para caminhos autoritários e altamente rentáveis. A grande mídia em declínio por conta da massificação do uso das redes sociais tem visto no combate as noticias falsas um novo nicho de mercado, criando as chamadas “agências de checagem de fatos”, que nada mais fazem do que seguir as premissas básicas da atividade jornalistica. Fato é que se transformaram numa lucrativa indústria, sendo a agência checadora de fatos contratada pelo Facebook recebido aportes de bilionários como o conhecido investidor liberal George Soros.

Além dos propósitos mercadológicos buscando dar sobrevida a uma atividade em declínio, numa espécie de simbiose com as gigantes da tecnologia, a criação das agências de checagens de fatos pode ter um efeito explicito de fabricação do consenso, direcionando discursos e criando um “monopólio da verdade” baseado no argumento de autoridade da grande mídia, que como estamos cansados de saber mente o tempo todo. Para pinçar um exemplo, o caso recente do “terço abençoado pelo papa e entregue a Lula” demonstra este viés partidário no comportamento das agências.

Combinando os fatos acima com os projetos de lei que visam criminalizar a divulgação de “notícias falsas”, temos um perigoso caminho que pode desembocar em uma censura a vozes dissidentes, de forma similar ao Ministério da Verdade no livro 1984 mas desta vez engordando o bolso dos capitalistas ao invés de servir a um estado totalitário.

A retomada da construção da autonomia na Internet

O Facebook é um espaço privado, regido por regras impostas por uma corporação multinacional, sujeito a vigilância e que ganha muito dinheiro com nossos dados e tempo de vida drenado. Nenhum movimento social, organização politica ou militante deve ignorar estes fatos apesar das facilidades de uso, potencial viciante e abrangência que provê.

É um tanto frustrante escrever isto quase 20 anos depois do surgimento de experiências libertárias como o Centro de Mídia Independente ou do Riseup.net, pois me parece que iniciativas como estas que buscam construir nossas próprias ferramentas comunicacionais baseadas em autonomia, democracia radical e solidariedade tiveram um grande refluxo nos últimos anos, cedendo espaço para plataformas centralizadoras, proprietárias e que transformam seus usuários simultaneamente em meros consumidores e em moeda de troca para o seu lucro.

Sem autonomia para manter nossos próprios espaços na Internet estaremos reféns destas plataformas e dos caprichos de seus donos e de seus algoritmos “caixa preta”. Precisamos urgentemente voltar a lutar por uma Internet livre, pela construção de nossos próprios espaços virtuais com financiamento independente e baseadas em Software Livre (com código aberto), com criatividade e atenção redobrada para o desenvolvimento de uma Cultura de Segurança, tão necessária em tempos de vigilância em massa e perseguição das dissidências.

A luta será árdua, os mares estão turbulentos, mas não podemos abandonar a Internet, este bem comum e seu potencial revolucionário de comunicação à deriva para os novos latifundiários digitais.