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Caso você use máscaras de email para administrar melhor suas comunicações por email, é bem útil configurá-las no seu cliente de email. Aqui descreveremos como se faz isso no Thunderbird.

Clique no ícone de Menu, vá na opção Preferências e depois em Configurações de Conta.

Nas página inicial das configurações da sua conta principal, aquela onde você criou sua máscara e clique em Gerenciar Identidades abaixo à direita.

Em seguida, clique em Adicionar.

Uma janela aparecerá com as configurações da sua máscara. Coloque ali o endereço da máscara, preencha as opções de nome, organização, assinatura, se quiser e pronto.

Agora, na hora de enviar um email, no campo Remetente você poderá escolher sua máscara.

Para podermos manter criptografas as conversas que realizamos nas listas de email, tem um jeito bem simples que é o seguinte:

1) Todas as pessoas da lista criam as chaves pgp para seus emails.

2) Essas chaves são trocadas preferencialmente ao vivo entre as pessoas que compõem a lista.

3) (Estou assumindo que você não abre seus emails no webmail!) Abra seu cliente de email que está integrado ao enigmail [1, 2] (por exemplo, o Thunderbird), clique naquele botão de menu, que está escondido no lado direito parte de cima, vá na opção “Enigmail” e depois clique em “Editar Regras por Destinatários” (ou em inglês, como mostra a imagem)

4) Adicione uma nova regra.

5) Coloque o endereço da lista no campo mais acima e depois selecione as chaves públicas das pessoas que compõem a lista (inclusive a sua própria).

 

Pronto! Agora todo mundo da lista receberá mensagens criptografadas que só poderão ser lidas por quem estiver contido naquela “regra”. Lembre-se que todo mundo da lista deverá utilizar a mesma configuração de “regra para destinatário”.

Baixe o manual aqui.

 

Prefácio pelo coletivo Mariscotron:

Há poucos dias recebi a notícia de que os 23 ativistas envolvidos nas jornadas de junho de 2013 que haviam sido perseguidos pela polícia do Rio de Janeiro foram sentenciados a 7 anos de prisão. Isso lembrou-me novamente por que o nosso coletivo existe e da importância do que fazemos.

O ano de 2013 foi um aprendizado político para muita gente no Brasil. Porém, na verdade, o que havia começado com uma tradicional manifestação do MPL contra o aumento da passagem logo se transformou em nossa versão local da falência da democracia. Foi algo semelhante ao que estava ocorrendo em outros lugares do mundo como no Movimento de Ocupações de Praças na Espanha e Grécia, o movimento Occupy nos EUA e a Primavera Árabe. Centenas de milhares de pessoas nas ruas tentando desesperadamente ser atores políticos (mesmo que momentaneamente, para em seguida abdicar do poder que conquistaram). Dentro do nosso escopo enquanto coletivo, um dos desdobramentos mais importantes daquele momento aconteceu no que chamamos de tecnopolítica.

Recentemente, foi muito fácil notar a influência recíproca entre tecnologia e política. Em 2018, vimos a manipulação do eleitorado através da influência psicológica massiva usando dados do Facebook. A empresa Cambridge Analytica virou escândalo mundial após a revelação de que os partidários da saída da Inglaterra da União Europeia e da entrada de Trump no governo dos EUA usaram seus serviços para obter a vitória. Esses acontecimentos chamaram atenção para algo que por 40 anos Chomsky vinha tentando denunciar, o Consenso Fabricado. Hoje, alegando temer esse tipo de manipulação e a circulação de notícias falsas nas primeiras eleições pós-golpe, o Supremo Tribunal Eleitoral brasileiro disse que irá recrudescer a “ronda eletrônica” e não cansa de alardear que cancelará as eleições caso for necessário.

Entretanto, nas jornadas de junho de 2013, a interseção entre tecnologia e política seguia outro algoritmo: a vigilância. Foi justamente naquele ano que Snowden revelou o escandaloso uso que a agência de inteligência gringa faz da rede mundial de computadores: uma captura massiva de dados. Descobrimos a vigilância de arrasto: não eram mais as pessoas suspeitas ou terroristas em potencial que estavam na mira do Estado, mas absolutamente todos os cidadãos.

A situação é muito mais perturbadora aqui nos países dependentes de infraestrutura tecnológica do que os gringos em geral e Snowden, com seu nacionalismo inocente, pensam: todas as nossas comunicações (serviços como Gmail, Facebook, pagamentos online, etc.) passam pelo território estadunidense – logo, podem ser melhor vigiadas. Através do vazamento que saiu no portal do Wikileaks em 2015, tivemos finalmente a evidência de que a então presidenta Dilma Rousseff estava sendo grampeada pelos tecnocratas da gringolândia desde 2013. Depois dessa, o governo brasileiro anunciou a construção de um cabo submarino dedicado à internet ligando o Brasil diretamente à Europa.

Foi essa a mesma presidenta que, durante sua campanha para a reeleição no final de 2014, afirmava com muita pompa que o mais importante legado da Copa do Mundo realizado nesse mesmo ano no Brasil havia sido a integração dos sistemas de inteligência da Polícia Civil, Polícia Militar, Abin, Departamento Penitenciário Federal, etc. Ou seja, um aparato de vigilância total que estava sendo montado desde 2011 com a desculpa dos megaeventos, Copa e Olimpíadas (2016). Que oportunidade para a democracia mostrar sua função social!

É no meio dessa sequência sinistra de eventos que minam nossa liberdade que surge, então, o coletivo Mariscotron. No final de 2014, nos reunimos e decidimos montar uma oficina sobre comunicação segura no hackerspaço local. Tínhamos em vista o uso desleixado e perigoso que ativistas vinham fazendo da internet. Por exemplo, houve chamadas para vandalismo na página de Facebook “oficial” do black bloc da cidade do Rio de Janeiro. Nessa época, já havíamos entendido a necessidade da criptografia, mas ainda estávamos presos na ideia de “qual software vai nos salvar?”. Claro, isso é um exagero: nossas oficinas eram longas conversas carregadas de críticas à tecnologia e à “mentalidade de consumidor”, essa forma acrítica e “intuitiva” de usar computadores, espertofones e a internet. Conhecimento livre e direitos autorais, código aberto e proprietário, protocolos federados e privados, exposição e anonimato. Em poucos meses, uma compreensão mais aprofundada sobre a diferença entre paranoia e anonimato foi, na minha opinião, o que transformou nosso enfoque. Como a galera do coletivo Saravá dizia, segurança é aquilo que nos protege para agir, enquanto a paranoia é o que nos impede qualquer ação. Eis o salto qualitativo: como os softwares estão sempre nascendo e morrendo (e se transformando, como o caso do Signal que nasceu do protocolo federado OTR, se fechou impedindo a federalização com o LibreSignal, que não usava os serviços da Google, e acabou se “vendendo” para o WhatsApp), a parte prática de nossas oficinas, para além das maravilhosas análises críticas sobre tecnopolítica, passaram a focar em ações que aumentassem a autonomia dos grupos ativistas. Os movimentos por transformação política não podiam ficar reféns de softwares, corporações ou especialistas, nem se paralisar na paranoia da ignorância tecnológica. Era preciso que criassem as condições para tomarem suas próprias boas decisões visando o contexto específico de suas ações.

É aqui que este livro, Segurança Holística, aparece em nosso caminho. Olhar para o conceito de risco como aquilo que restringe nosso espaço de trabalho ou de segurança como bem-estar em ação foram mudanças cruciais em nossa compreensão de mundo e forma de atuação. Passamos a ter mais confiança em nossa abordagem, assim como manter um foco claro sobre nosso objetivo: promover uma cultura de segurança.

Como toda cultura, essa é um conjunto de ações e compreensões que visa especificamente nossa capacidade de agir bem e manter nossa energia para transformação política. É algo que parte de cada pessoa, mas que só ganha sentido em coletivo. Sua força se manifesta no campo social.

Os coletivos de ação direta ambientalistas dos anos 1980 resumiram sua cultura de segurança em três frases: não fale o que não precisa ser dito, não pergunte o que não precisa saber e o “não” é uma resposta válida para uma pergunta desnecessária. A segurança holística, entretanto, adicionalmente à infiltração e repressão, traz à nossa atenção o cuidado psicológico, tanto individual como socialmente, para podermos fazer nosso ativismo e mantê-lo operando.

A segurança holística também nos ajudou a pensar contextualmente. Em muitas oficinas durante o início do coletivo, apresentávamos o cenário tecnológico desde uma perspectiva global, onde era preciso atuar em todas as frentes imagináveis. Tínhamos “boas soluções” para senhas, comunicação, aplicativos, reuniões, infiltração, etc. Mesmo sabendo que não existe segurança total, naquela época, a medida do sucesso para nós era o quão perto estávamos do uso absoluto da criptografia e da prática do sigilo. Esse é um enfoque que avalia o inimigo como sendo extremamente poderoso e onipresente. Obviamente, sabíamos das dificuldades de causar uma mudança pública e manter o anonimato ao mesmo tempo. Porém, estando imerso nos desdobramentos dos anos de 2013 e 2014 e frente a violência do Estado e das empresas, isso pareceu o mais sensato. A perseguição política também é parte do jogo democrático. Não existe democracia sem prisões, polícia, fronteiras ou guerra. Qualquer pessoa ou grupo que se posicione contra ou questione o status quo mais cedo ou mais tarde sofrerá represálias. A situação recente da Nicarágua é exemplar: uma população que rejeita a perda de direitos é recebida com franco atiradores. Já são mais de 400 mortos e 260 desaparecidos.

Olhar os riscos contextualmente, então, mudou completamente essa visão. A análise em grupo de nossas capacidades e medidas de segurança atuais, assim como do risco presente em nossas ações deixa mais claro como podemos atuar melhor e trabalhar sobre nossas vulnerabilidades. Quem são nossos aliados e inimigos declarados? Quais atores podem mudar de lado? De onde brota nosso medo quando atuamos? Temos nos alimentado bem? Algo mudou na “normalidade” do dia a dia? Como está nossa comunicação interna, as tensões dentro do grupo? Precisamos de ajuda externa? Temos planos de emergência para eventos chave? Enfim, é uma série de questões que melhora nossa compreensão do que fazemos e estimula nossa criatividade para encontrar saídas não pensadas antes.

Porém, não precisamos descartar nosso acúmulo anterior. Percebi que, no fundo, o que visávamos com uma segurança digital “total” era a preservação de valores muito importantes para a manutenção da liberdade na internet. Ou seja, basicamente defendíamos a circulação livre de informação e não-militarização do espaço virtual. Sabendo que nosso primeiro enfoque era a comunicação segura, usar softwares de código livre e aberto assim como incentivar e defender nossa privacidade (dos de baixo) eram temas recorrentes que continuam fazendo sentido.

Esta tradução é, então, parte de nosso aprendizado. Não somos todas especialistas nem temos diplomas. Durante este trabalho, dividi meu tempo entre escrever, plantar e cozinhar comida, construir uma casa, trabalhar e fortalecer relações, programar software, viajar, tomar banhos de rio, CryptoRaves e tudo o mais que compõe uma vida que busca reduzir as inter-mediações criadas pelo Estado e pelo consumo. Sou grato a minhas amizades, que me acolheram e ajudaram no dia a dia durante a tradução, mesmo não tendo nada a ver com a produção do livro. Este foi meu “financiamento”.

Desde o lançamento de Segurança Holística em português na CryptoRave 2018 em São Paulo, começamos a organizar um treinamento para coletivos e grupos de esquerda pela transformação social. Esperamos que o livro contribua para manter nosso ativismo forte e nossas vidas cheias de energia.

A Outreachy está com inscrições abertas para o programa de estágios de inverno. São vagas nas áreas de programação, experiência de usuário (UX), documentação, ilustração e design gráfico ou data science. As vagas são em projetos de Software Livre e de Código Aberto, e são oferecidas preferencialmente para mulheres (cis ou trans), homens trans, e pessoas genderqueer.

Os estágios tem duração de três meses e as posições de trabalho são completamente remotas. O valor da bolsa é de 5.500,00 doláres e um adicional de 500,00 doláres para custos de viagem. Interessadxs tem até o final de outubro para aplicarem nesse endereço.

 

Na próxima quinta-feira, dia 13/set, acontece a oficina “Ferramentas digitais para organização coletiva”. Iremos apresentar e mostrar como funcionam algumas opções de ferramentas para organização coletiva que são usadas há quase duas décadas por inúmeros grupos ativistas pelo mundo. Nesse tempo, muito se melhorou em termos de segurança da comunicação, porém nossas necessidades quando estamos em coletivos, continuam as mesmas: nos comunicarmos, organizar e debater nossas ideias, compartilhar materiais e tomar decisões. Toda tecnologia possui valores codificados em sua estrutura que nós não conseguimos alterar, por mais que “usemos do nosso jeito”. Por isso recomendamos coletivos de tecnologia como Riseup ou Autistici que desenvolvem softwares a partir de valores como justiça social, privacidade e autonomia. Divulguem e apareçam!

Quando: dia 13 / set, quinta
Hora: 19h00
Local: Tarrafa Hackerspaço

04/07/2018

Por Patricio Velasco F., pesquisador da ONG Derechos Digitales | #Boletim17


O aumento do acesso a novas tecnologias e em especial o crescimento da quantidade de crianças e adolescentes que possuem celular com conexão à internet implica em numerosas consequências no momento de exercer direitos humanos fundamentais como a privacidade.

Uma boa maneira de abordar a questão é considerar os números do fenômeno. Por exemplo, segundo os dados da pesquisa Kids Online aplicada no Brasil em 2016, 85% das crianças e adolescentes acessam a internet no celular (sem que existam diferenças significativas segundo o nível socioeconômico das famílias nem o sexo dos respondentes). Esse tipo de dado não é excepcional no contexto regional. A queda nos preços dos dispositivos e a ampliação da infraestrutura de internet permitiram uma crescente massificação do acesso à rede na América Latina.

O acesso massivo à internet e sua maneira particular de uso tem, igualmente, outras implicações. Com a ampliação da conectividade através de celulares, os usos que crianças e adolescentes podem fazer dessas tecnologias se multiplicam e, além disso, o eventual controle preventivo que os adultos responsáveis pelos menores podem exercer a respeito da navegação de crianças e jovens também é restrito (Byrne, Kardelfelt-Winther, Livingstone, & Stoilova, 2016). O controle não pode ser permanente e o conhecimento que crianças e adolescentes adquirem sobre as novas tecnologias pode deixar os adultos rapidamente desatualizados, configurando um cenário onde são os menores que se “alfabetizam” com maior rapidez sobre os novos desenvolvimentos tecnológicos (Ólafsson, Livingstone, & Haddon, 2013).

Além disso, é necessário considerar um terceiro elemento relevante: o modo que crianças e adolescentes experimentam a conectividade. A experiência da internet tem sido mediada principalmente pelo uso de plataformas que são acessadas através de aplicativos para celular. No caso chileno, por exemplo, 80% das crianças e adolescentes declaram ter utilizado redes sociais nos últimos meses.

Essa configuração, considerando um amplo acesso à internet através de dispositivos pessoais, alto nível de familiaridade com as novas tecnologias e a prevalência de redes sociais implica em desafios significativos no momento de abordar a pergunta sobre privacidade online.

Para autores como Boyd, a proliferação da conectividade através de redes sociais com ênfase no uso feito por crianças e adolescentes influiu em uma mudança do que compreendemos por privacidade online. Assim, se antes para conseguir publicidade era necessário mobilizar e gerir recursos, atualmente estaríamos frente a um cenário onde se compreende que o que é público se encontra determinado “por padrão”; enquanto o que é privado opera como uma construção que requer não apenas mobilizar recursos, mas também desenvolver estratégias que sejam capazes de estabelecer limites ao acesso e difusão dos conteúdos gerados.

Essa mudança na compreensão da privacidade possui amplas consequências na hora de avaliar o comportamento online de crianças e adolescentes. Além dos perigos que o uso de informação pessoal de terceiros pode implicar (que já foi amplamente exposto no debate sobre a Cambridge Analytica) é necessário situar essa preocupação no contexto de uma crescente transformação da vida social em dados, onde as experiências são registradas através de diversos sensores e dispositivos, formando um rastro duradouro da vida das crianças que se socializaram através dessas plataformas (Lupton & Ben Williamson, 2017).

Então devemos nos perguntar novamente em que implica e como se configura a privacidade online para crianças e adolescentes. Para Balleys & Coll, a privacidade se refere à capacidade de gerir a intimidade de uma pessoa com seus pares, o que implica que se configure como uma forma de capital que permite a crianças e adolescentes consolidar seus vínculos e status. Essa gestão da intimidade poderia estar representada nas diversas formas em que os menores se relacionam com as plataformas online e, particularmente, com as restrições que estabelecem de sua participação nelas.

Pelo que acabamos de mencionar, é importante avaliar quais são as habilidades e capacidades que crianças e adolescentes demonstram em redes sociais ao configurar sua privacidade online. Assim, antes de focar na privacidade como conceito abstrato, é possível verificar quais são os recursos que efetivamente são mobilizados para definir o que cada um quer resguardar como privado. Ao adotar essa abordagem, surgem novas perguntas: Todas as crianças e adolescentes estão em igualdade de condições para mobilizar tais recursos e configurar a sua privacidade online? Com relação a isso, foi apontado que a alfabetização digital e o desenvolvimento de habilidades online reproduz as desigualdades sociais de base (Helsper, van Deursen, & Eynon, 2015), questão que em contextos como o latino-americano, com amplas diferenças entre os diversos estratos socioeconômicos, pode resultar ainda mais urgente.

Dessa maneira, estamos frente a um cenário complexo: o exercício da privacidade não só implica gerir recursos, mas também esses recursos não estão igualmente disponíveis para toda a população. Em termos de habilidades online, essas lacunas são particularmente significativas. Como exemplo, e considerando novamente os dados da Kids Online Brasil, é possível apontar que 74% das crianças e adolescentes dos estratos altos sabem como mudar a sua configuração de privacidade em redes sociais, em comparação com somente 50% de quem pertence ao estrato mais baixo.

Perante essa situação é necessário desenvolver estratégias que favoreçam a criação e gestão de recursos que permitam que crianças e adolescentes sejam agentes ativos na configuração da sua privacidade online. Isso implica enfatizar o desenvolvimento de habilidades e estratégias para um uso seguro da internet, capazes de considerar que, no cenário atual, a privacidade não é um conceito estático, mas uma implementação prática e cotidiana. Para isso é imperativo habilitar não somente as próprias crianças e adolescentes, mas também os adultos que formam parte do seu processo educativo, tanto nas famílias como em estabelecimentos educacionais.

Então devemos nos orientar pensando no desenvolvimento de programas que permitam aos menores discernir o que querem manter no âmbito privado e quais são as ferramentas e estratégias tecnológicas efetivas para esse fim. Assim, estaremos permitindo que crianças e adolescentes desenvolvam competências digitais para a construção da sua própria privacidade online, sem que isso presuma que um determinado conteúdo deva ser resguardado. É relevante que essa formação seja capaz de reconhecer as diferentes identidades étnicas, religiosas e sexuais existentes na sociedade, permitindo assim que a participação online de crianças e adolescentes respeite as diferenças culturais, enquanto lidamos com as lacunas de classe que podem incidir na gestão da privacidade.

No dia 25 de Julho o Facebook retirou do ar uma rede de páginas e perfis ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL), movimento de direita protagonista no Golpe de 2016. Foram desativadas 196 páginas e 87 contas com a justificativa de “formarem uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”.

Parte da esquerda aplaudiu a ação, afinal o MBL apoia projetos de censura e perseguição politica de educadores em escolas (projeto Escola Sem Partido, que mais deveria se chamar Escola de Partido Único), foi um dos principais responsáveis pelo cancelamento de exposições Queer em museus e espalhou mentiras sobre a militante e vereadora do PSOL Marielle Franco, executada este ano.

Motivos não faltam para odiar o MBL e sua máquina de propaganda, que espalha mentiras de forma organizada no terreno fértil em que cresce o fascismo de verniz “liberal” no Brasil. Entretanto é necessário levantar alguns questionamentos e hipóteses sobre este acontecimento para o campo politico da esquerda, sem perder de vista o contexto mais amplo onde está inserido.

O ano eleitoral e o efeito Cambridge Analytica

Em Março deste ano o Facebook amargou um encolhimento de US$ 35 bilhões na bolsa de valores dos Estados Unido após a divulgação do escândalo da Cambridge Analytica, empresa que utilizou de forma não consentida informações privadas de 50 milhões de usuários em consultorias politicas, como a que influenciou o plebiscito de saída do Reino Unido da União Europeia e a campanha de Donald Trump para Presidente do Estados Unidos (ambos objetivos bem sucedidos).

Em ano eleitoral no Brasil, já surgem propostas de projetos de lei para criminalizar a elaboração e divulgação de Noticias Falsas, algo que existe antes mesmo da revista Veja (especialista neste quesito), mas que virou o centro das atenções nos últimos tempos, cunhando o termo “Pós verdade” e ganhando até nome gringo (Fake News). Recentemente, o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral afirmou que poderá anular o resultado de uma eleição se esse resultado for decorrente da difusão massiva de notícias falsas.

Ao tirar parte da máquina de propaganda do MBL do ar, o Facebook pode estar tentando se precaver de amargar mais prejuízos em um outro grande escândalo politico. O dinheiro que continuariam a ganhar com esta rede financiada de forma obscura pode ser recuperado somente com a polêmica que a decisão da empresa tomou, vide o próprio MBL que está protestando dentro da própria plataforma. Além disto, como bem apontou matéria do The Intercept, apenas parte destas máquinas de propaganda da extrema-direita foram alvo da empresa, o restante continua gerando lucro.

O projeto neoliberal e o isolamento da dissidência “radical”

Com o crescimento da extrema-direita no mundo é possível notar um movimento feito pelo stablishment neoliberal de criação do conceito de um novo “centro politico”, onde se agrupam candidatos com ideias alinhadas ao status quo. Isto aconteceu na França com a disputa de Macron (o candidato neoliberal) versus Marine Le Pen (da extrema-direita), e tem sido reproduzido aqui no Brasil, com Alckimin sendo chamado de “candidato de centro” por veículos da grande imprensa. Por sua vez, a esquerda mais tímida e social democrata também é empurrada para o “extremo”, sendo chamada de “extrema-esquerda” ou “esquerda radical”, como aconteceu com Bernie Sanders nos EUA, Mélenchon na França.

Se a esquerda social-democrata é considerada radical e até perigosa (Lula está preso), o que dirá a imprensa sobre os Anarquistas e Comunistas, ou integrantes de Movimentos Sociais que batem de frente com o sistema capitalista? Em um Brasil cada vez mais autoritário não faltam sinais de que o cerco estatal está se fechando sobre estes grupos, como demonstra a perseguição politica a participantes de centros culturais e grupos anarquistas em Porto Alegre ano passado, a condenação a 7 anos de prisão de 23 ativistas que participaram de protestos no Rio contra o ex-governador Cabral e a Copa de 2014 e o indiciamento de 18 manifestantes por portarem materiais de primeiros socorros antes de um protesto contra Temer em São Paulo em 2016, sendo que este último caso teve grande repercussão por envolver um Capitão do Exército infiltrado nas investigações (o caso “Balta”). Sem contar todos os lutadores “anônimos” assassinados na luta pela terra ou em defesa do meio ambiente, no país que mais mata militantes desta causas.

Com este panorama aterrador, o que impede uma empresa como o Facebook de utilizar o mesmo remédio amargo utilizado contra o o MBL em grupos “radicais” e “extremistas” de esquerda, que poderiam muito bem através da construção midiática já em curso serem pintados para a opinião pública como terroristas e pregadores da violência? Ou então fornecer de bom grado informações de militantes e suas organizações para órgãos de repressão do governo?

Os Ministérios da Verdade S.A

A preocupação com a proliferação das noticias falsas é pertinente, mas também aponta para caminhos autoritários e altamente rentáveis. A grande mídia em declínio por conta da massificação do uso das redes sociais tem visto no combate as noticias falsas um novo nicho de mercado, criando as chamadas “agências de checagem de fatos”, que nada mais fazem do que seguir as premissas básicas da atividade jornalistica. Fato é que se transformaram numa lucrativa indústria, sendo a agência checadora de fatos contratada pelo Facebook recebido aportes de bilionários como o conhecido investidor liberal George Soros.

Além dos propósitos mercadológicos buscando dar sobrevida a uma atividade em declínio, numa espécie de simbiose com as gigantes da tecnologia, a criação das agências de checagens de fatos pode ter um efeito explicito de fabricação do consenso, direcionando discursos e criando um “monopólio da verdade” baseado no argumento de autoridade da grande mídia, que como estamos cansados de saber mente o tempo todo. Para pinçar um exemplo, o caso recente do “terço abençoado pelo papa e entregue a Lula” demonstra este viés partidário no comportamento das agências.

Combinando os fatos acima com os projetos de lei que visam criminalizar a divulgação de “notícias falsas”, temos um perigoso caminho que pode desembocar em uma censura a vozes dissidentes, de forma similar ao Ministério da Verdade no livro 1984 mas desta vez engordando o bolso dos capitalistas ao invés de servir a um estado totalitário.

A retomada da construção da autonomia na Internet

O Facebook é um espaço privado, regido por regras impostas por uma corporação multinacional, sujeito a vigilância e que ganha muito dinheiro com nossos dados e tempo de vida drenado. Nenhum movimento social, organização politica ou militante deve ignorar estes fatos apesar das facilidades de uso, potencial viciante e abrangência que provê.

É um tanto frustrante escrever isto quase 20 anos depois do surgimento de experiências libertárias como o Centro de Mídia Independente ou do Riseup.net, pois me parece que iniciativas como estas que buscam construir nossas próprias ferramentas comunicacionais baseadas em autonomia, democracia radical e solidariedade tiveram um grande refluxo nos últimos anos, cedendo espaço para plataformas centralizadoras, proprietárias e que transformam seus usuários simultaneamente em meros consumidores e em moeda de troca para o seu lucro.

Sem autonomia para manter nossos próprios espaços na Internet estaremos reféns destas plataformas e dos caprichos de seus donos e de seus algoritmos “caixa preta”. Precisamos urgentemente voltar a lutar por uma Internet livre, pela construção de nossos próprios espaços virtuais com financiamento independente e baseadas em Software Livre (com código aberto), com criatividade e atenção redobrada para o desenvolvimento de uma Cultura de Segurança, tão necessária em tempos de vigilância em massa e perseguição das dissidências.

A luta será árdua, os mares estão turbulentos, mas não podemos abandonar a Internet, este bem comum e seu potencial revolucionário de comunicação à deriva para os novos latifundiários digitais.

 

Discos rígidos e outros dispositivos de armazenamento estão sujeitos a falhas. Algumas vezes essas falhas podem ser causadas por vírus ou malware, outras vezes por corrupção dos dados, erro humano, ou também falha mecânica. Independente da razão, a perda de dados é no melhor dos casos uma dor de cabeça, mas pode significar problemas muito maiores dependendo dos dados envolvidos.

Muitas vezes supomos que a recuperação de dados de um disco é um serviço especializado, de alta complexidade e que necessita mão-de-obra técnica. Mas nos casos onde a falha não é mecânica é possível recuperar parcial ou totalmente os dados através de software desenvolvido especificamente para isso. Nesse tutorial vamos falar de duas ferramentas de recuperação de dados, TestDisk e Foremost. Ambas ferramentas estão disponíveis para as principais distribuições Gnu/Linux e podem ser instaladas através de gerenciadores de pacotes como o APT, Synaptic ou Ubuntu Software Center.

Testdisk

Com o TestDisk, além de restaurar arquivos corrompidos e excluídos, também é possível alterar e escrever partições e tentar recuperar discos que não estão inicializando normalmente.

O programa deve ser rodado no terminal com privilégios administrativos:

$ sudo testdisk

A partir desse comando o programa apresenta uma interface de texto com diversas opções. Para recuperar arquivos, devemos seguir os seguintes passos. Primeiro, precisamos escolher entre criar ou não um arquivo de log da operação, essa opção não influencia nos próximos passos. Depois dessa escolha, o programa listará os dispositivos de armazenamento de dados instalados e montados na sua máquina. Você deve ser capaz de identificar em qual deles quer buscar pelos arquivos perdidos. Selecionando o disco correto, agora é hora de escolher qual formato de partição o programa deve buscar – na grande maioria dos casos deve-se selecionar Intel (para discos formatados como ext2, ext3, NTFS, FAT32 entre outros). Agora selecione [Analyse]. O programa iniciará buscando por partições e em alguns casos pode encontrar antigas partições que não nos interessam ou que ele é incapaz de recuperar. Pressione [Continue] até encontrar a partição procurada. Ao encontrar, é possível listar todos os arquivos contidos na partição com a tecla P (shift+p) e então copiar os arquivos. Os principais comandos para realizar operações com os arquivos são os seguintes:

  • : para selecionar o diretório / arquivo destacada
  • a para selecionar todos os diretórios / arquivos
  • c para copiar o arquivo destacado
  • C (shift+c) para copiar todos os arquivos
  • seta direita, seta esquerda para navegar pelos diretórios

Uma vez copiados os arquivos, o programa automaticamente nos direciona para nossa pasta pessoal onde podemos selecionar onde queremos colar os arquivos. A tecla para colar os arquivos é C. Esse processo pode demorar bastante tempo.

Foremost

Foremost é uma ferramenta muito completa de data carving . Ele busca por cabeçalhos e rodapés dos arquivos no disco e os reconstrói a partir dessas informações. É um processo mais complexo mas que consegue recuperar dados que estão mais corrompidos ou danificados.

Com os comandos básicos é possível executar uma varredura do disco alvo copiando os arquivos de forma rápida através de filtragens por formato de arquivo. Supondo que os arquivos procurados sejam imagens, uma busca exclusiva por jpg e png se torna muito mais ágil do que buscar por todos os arquivos contidos no disco. Os principais comandos são os seguintes:

  • -t antecede uma lista separada por vírgulas de formatos de arquivos que você quer buscar
  • -v modo verbose, exibe informações do andamento da operação de cópia
  • -o o diretório onde você quer salvar os arquivos de saída (output) da sua varredura
  • -i o diretório onde você quer efetuar a busca (input), pode ser um HD, ou outras imagens de disco de diferentes formatos

por exemplo:
$ sudo foremost -t pdf,jpg,odt -o pastadesaida -v -i /dev/sdb

Nesse exemplo, utilizamos o [sudo] para obter privilégios administrativos e fazemos uma busca por arquivos pdf, jpg e odt no dispositivo e copiamos os arquivos que correspondem a essa busca em diretório chamado .

Além dessas duas ferramentas que apresentamos aqui, existem várias outras opções livres e de código aberto para recuperação dados. Algumas são mais especializadas e outras amplas demais. Para problemas mais específicos ou complexos essas outras opções podem ser úteis. Lembre-se: mantenha sempre um backup de seus informações mais sensíveis!

do site da EFF.

13 de maio de 2018

Um grupo de pesquisadores de segurança europeu publicou um aviso sobre um conjunto de vulnerabilidades que afetam usuários de PGP e S/MIME. A EFF está em contato com essa equipe de pesquisa e pode confirmar que essas vulnerabilidades colocam um risco imediato para as pessoas que usam essas ferramentas de comunicação por email, incluindo a potencial exposição do conteúdo de mensagens antigas.

Todos os detalhes serão publicados em um artigo na próxima terça-feira às 7:00 AM UTC. Para reduzir os riscos no curto prazo, nós e a equipe de pesquisa acordamos em alertar a comunidade de usuários de PGP antes da sua publicação.

Nosso conselho, que é o mesmo que o da equipe, é desabilitar ou desinstalar imediatamente as ferramentas que descriptografam automaticamente os emails criptografados com PGP. Até que as falhas descritas no artigo sejam melhor compreendidas e corrigidas, usuários devem conseguir formas alternativas de comunicação segura de ponta-a-ponta, tais como Signal, e parar temporariamente de enviar, e especialmente de ler, emails criptografados com PGP.

Por favor, use os seguintes guias para saber como desabilitar temporariamente os plugins de PGP em:

Thunderbird com Enigmail

Apple Mail com GPGTools

Outlook com Gpg4win

Esses passos buscam ser paliativos temporários e conservadores do ponto de vista da segurança até que os riscos imediatos dessas falhas passem e sejam mitigados.

Lançaremos uma explicação e análise mais detalhada quando mais informações estiveram disponíveis publicamente.

No site, tá dito mais ou menos assim:

Compartilhe vídeos do YouTube sem dar pra Google a contagem de visitas, além de desviar dos bloqueios nacionais e restrições de idade. Também é possível baixar as músicas e vídeos. Mantenha seus dados longe dos olhos da Google.

 

Como funciona: é só substituir o domínio de qualquer link do YT por hooktube.com e você irá para uma página levinha que carregará os arquivos de mídia (mp4, webm, etc.) do YouTube diretamente no tocador de mídia nativo do seu navegador. Por exemplo: https://youtube.com/watch?v=-fny99f8amM vira https://hooktube.com/watch?v=-fny99f8amM


Atualização 11-08-2018:  Infelizmente, ao que tudo indica em razão de pressão legal, o HookTube não mais funciona como uma ferramenta que permite assistir vídeos do YouTube sem gerar tráfego e dados estatísticos para a plataforma da Google ou escapar da censura.

Leia a postagem no site do próprio HookTube que traduzimos livremente aqui:

  • Foi bom enquanto durou, 1.5 anos. Iniciou como uma adição ao projeto norbot feita as pressas, e com o tempo tivemos que fazer upgrade nos servidores várias vezes. É claro que o time legal do YouTube seria inevitável a essa altura.
  • Um muito obrigado especial para todas as pessoas que criaram plugins e extensões para hooktube, /g/, as cinco pessoas que doaram anonimamente, e BitChute por trabalhar duro numa verdadeira alternativa para o YouTube. Nos vemos no próximo projeto.
  • 16 de Julho: as funcionalidades da api do YouTube estão de volta mas o <video> mp4 foi substituído pelo vídeo incorporado padrão do YT. HookTube é agora de fato apenas uma versão leve do youtube e inútil para 90% de vocês primariamente preocupados em negar dados para o Google e assistir videos bloqueados pelos seus governos.