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Neste sábado acontece o Festival Latino-americano de Instalação de Software Livre (FLISoL). Em Floripa o Festival será no Tarrafa Hacker Clube, um Hacker Espaço que fica no departamento de Arquitetura da Universidade Federal de Santa Catarina.

Iremos participar da Installfest e iremos ministrar uma oficina/conversa sobre Comunicação Segura. Chega mais!

Programação:

  • Atividades:
  • 13h-18h: Installfest
    • Traga seu notebook e instale distribuições de Linux e Softwares Alternativos com a ajuda de usuários experientes.
  • 13h – Computação Gráfica com Software Livre
    • Desapegue do Photoshop e use um software livre para editar suas fotos e imagens.
  • 14h – Data Detox
    • Descubra quem é você na internet e o que as grandes corporações já coletaram dos seus dados sem você saber.
  • 15:30 – Conheça o Tarrafa
    • Uma apresentação do que é um hackerspace e cultura hacker.
  • 16:30 – Comunicação Segura (coletivo Mariscotron)
    • Cultura de Segurança, Software livre e Criptografia: Protegendo seus dados e comunicação da vigilância massiva e global.
  • 18h – Encerramento
    • Aviso: traga seu notebook para participar das atividades com a mão na massa.

 

Nesta terça às 18:30 vamos participar de uma mesa sobre Software livre e a democratização da informação, durante a III Semana de Biblioteconomia da UFSC.

Mesa redonda: “Software livre e a democratização da informação” – Coletivo Mariscotron; Tarrafa Hacker Clube; Douglas Dyllon Jeronimo de Macedo; Jan Luc Santos Tavares (Auditório da reitoria UFSC)

A programação completa pode ser vista abaixo:

outraspalavras.net/destaques/a-silenciosa-dominacao-por-algoritmos

Armas de Destruição Matemática (WMD, em inglẽs), da pesquisadoras de dados Cathy O’Neil, oferece uma visão mais cética dos algoritmos, com foco em seus custos e consequências sociais negativas. O’Neil documenta como os algoritmos – WMDs – podem punir os pobres e promover os privilegiados, num círculo que piora as desigualdades de raça e de classe do capitalismo. Por exemplo, acredita-se amplamente, nos Estados Unidos, que prisioneiros não-brancos de bairros pobres têm maior probabilidade de cometer crimes, e também estão mais dispostos a cometer outros crimes e voltar à prisão. Os modelos de reincidência que seguem a tendência de um criminoso condenado a reincidir sugerem que essas pessoas são mais propensas a estar desempregadas, não possuem diploma do ensino médio e tiveram, com os amigos, passagens anteriores pela polícia. Uma outra maneira de olhar para os mesmos dados, contudo, é que essas pessoas vieram de áreas pobres com péssimas escolas e poucas oportunidades. “Então as chances de um ex-prisioneiro que volta ao mesmo bairro ter outra encrenca com a lei é sem dúvida maior do que a de um sonegador de impostos que é solto e volta a um subúrbio frondoso.” Nesse sistema, observa O’Neil, “os pobres e não-brancos são punidos mais por serem quem são e viverem onde vivem.”

Armas de Destruição Matemática oferece vários exemplos inspiradores de como os algoritmos podem ser instalados como uma ferramenta muito poderosa, embora invisível, para dominar a vida cotidiana da pessoas. O livro é melhor escrito do que se pode esperar de um quant. As fontes humanas de O’Neil oferecem material vívido que ilumina histórias de dor e sofrimento infligidas às pessoas por empresas de crédito com as estratégias predatórias de empréstimo alimentadas por algoritmos. A partir de sua experiência como uma pesquisadora de dados, ela revela problemas com a entrada destes em algoritmos e explica como esses problemas podem levar à destruição de comunidades inteiras, desde a avaliação de professores até aqueles que enviam seus currículos à procura de empregos. A organização de O’Neil das experiências de pensamento para imaginar como os algoritmos poderiam informar as táticas da polícia em bairros brancos e ricos e para combater crimes de colarinho branco traz à tona o privilégio e a imunidade de que essas comunidades desfrutam quanto às consequências da pobreza. Ela propõe exemplos de como os algoritmos poderiam ser auditados e mantidos em padrões de responsabilidade. O livro de O’Neil tem muita força, ressaltando os problemas estruturais dos algoritmos como uma tecnologia e a obscena realidade de hoje, em que os ricos ainda são verificados por pessoas, enquanto a vasta maioria é cada vez mais gerida por máquinas.

PDF

Segue abaixo o material distribuído na CryptoRave de 2017. Originalmente, continha informações sobre segurança e a programação do evento. Tiramos a segunda parte e adicionamos umas figurinhas.

 

Distribua à vontade!

Mais informações em cryptorave.org e autodefesa.fluxo.info

CRYPTORAVE 2018!

A CryptoRave 2018 ocorrerá nos dias 4 e 5 de maio de 2018!
O Chamado para Atividades já está rolando e encerrá dia 24 de março!

Envie a sua proposta pelo site:
https://cpa.cryptorave.org/pt-BR/cr2018/cfp/session/new

* * *

A CryptoRave, maior evento de segurança e privacidade aberto e gratuito do mundo, abriu no dia 23 de janeiro as chamadas para inscrição de atividades. A 5ª edição do evento ocorrerá entre os dias 4 e 5 de maio.

Em breve abriremos a campanha de financiamento colaborativo para 2018!

Mantendo a tradição, o evento será construído de forma colaborativa, por meio de sugestões de palestras, debates, oficinas, jogos, atividades mão-na-massa e colaboração de projeto FLOSS (free/libre/open software/source).
Propostas de apresentações artísticas, instalações, exibição de filmes e shows também são MUITO bem-vindas. DJs também já podem se inscrever para tocar na festa que rolará, como nas edições anteriores, ao final do encontro. As inscrições vão até dia 24 de março, à meia-noite. Não deixe para a última hora!

Para submeter uma atividade para a CryptoRave 2018 basta criar uma conta no site:
https://cpa.cryptorave.org e, em seguida, criar um evento. Quem se inscreveu no ano passado pode usar o mesmo perfil para inscrição este ano. O preenchimento de dados pessoais como nome, sobrenome e sexo são opcionais. Basta um e-mail válido para
nos comunicarmos com a pessoa responsável pela inscrição.

Os critérios para avaliação das propostas são:
– Adequação aos temas: privacidade, segurança e criptografia
– Diversidade de gênero, geográfica e de formato
– Inovação da proposta
– Atualidade da proposta

Lembrando que não serão aceitas propostas por qualquer outro canal de comunicação da CryptoRave como Twitter e Facebook. Não há compensação financeira pelas atividades aprovadas e não serão aceitas propostas que envolvam merchandising. Nos comprometemos a oferecer infraestrutura adequada e a buscar materiais essenciais à realização da atividade, mas não exagere, funcionamos na base do financiamento coletivo e trabalho voluntário.

Dúvidas e sugestões podem ser enviadas para contato ARROBA cryptorave.org

MULHERES

Com o objetivo de garantir a diversidade, a CryptoRave mantém uma política anti-assédio e o firme compromisso de garantir um ambiente receptivo para mulheres, pessoas LGBTQ e minorias sociais. Também mantemos uma trilha para apresentar atividades relacionando segurança, privacidade, criptografia e questões de gênero. Por isso, se inscrevam!

Sugestões de temas e tópicos para as atividades:
– Análise dos últimos grande vazamento de dados, seus impactos e como se proteger
– Discriminação algorítmica
– Criptografia: do básico ao avançado. Teoria e implementações.
– Segurança para ativistas e defensores de direitos humanos.
– Segurança para cidadãos e consumidores na era da Informação.
– Gênero e Privacidade: diversidade na segurança digital.
– Denúncias e análise de violações do direito à privacidade e liberdade de expressão.
– Denúncias e análises de como governos violam a privacidade: espionagem e vigilância no Brasil e no mundo.
– Como empresas violam a privacidade: coleta de dados, lucro e direito do consumidor.
– Experiência de (contra) ofensiva: hacking, hacktivismo, hacking das coisas, fuzzing, exploits e segurança ofensiva.
– Segurança e/ou vulnerabilidades em hardware, cripto dispositivos e open hardware.
– Ciberguerra e ativismo cibernético na rede.
– Hardening de sistemas operacionais.
– Soberania computacional, descentralização e federação de redes.
– Dissidentes políticos, denunciantes e vazamentos de informações – sistemas tecnológicos e éticos.
– Sistemas eletrônicos de governos e vulnerabilidades.

VOLUNTÁRIOS

A abertura de inscrições para trabalho voluntário durante o evento – uma nobre e fundamental atividade com a qual temos muito orgulho de contar – será em abril de 2017.

E lembre-se, a realização de um evento como a CryptoRave custa caro. Para garantir que sua atividade e a própria CryptoRave aconteçam, avise a sua comunidade e estimule a colaboração com nosso financiamento coletivo.

Compartilhe:
https://twitter.com/cryptoravebr/status/955765401304141824

Aberto o CHAMADO DE PROPOSTAS DE ATIVIDADES para a Cryptorave 2018 – 4 e 5 de maio: https://cpa.cryptorave.org/pt-BR/cr2018/cfp/session/newMantendo a tradição, o evento será construído de forma colaborativa, por meio de sugestões de palestras, debates, oficinas, jogos, atividades mão-na-massa e colaboração de projeto FOSS (free/libre/open software/source). Propostas de apresentações artísticas, instalações, exibição de filmes e shows também são MUITO bem-vindas. DJs também já podem se inscrever para tocar na Cryptofesta que rolará, como nas edições anteriores, ao final do encontro.As inscrições vão até dia 24 de março, à meia-noite.Não deixe para a última hora!

Posted by CryptoRave on Tuesday, January 23, 2018

https://cryptorave.org/

PORQUE É QUE HOJE NENHUMA REVOLUÇÃO É POSSÍVEL? por BYUNG-CHUL HAN

Num debate entre mim e António Negri, que ocorreu há cerca de um ano no Berliner Schaubühne, confrontaram-se duas críticas bem distintas do Capitalismo. Negri estava confiante com a ideia de uma resistência global ao “Império”, ao sistema neoliberal de dominação, apresentando-se a si mesmo como um comunista revolucionário e referindo-se a mim como um académico céptico. Acreditava, enfaticamente, que a “multitude”, as massas interconectadas do protesto e da revolução, iriam ser capazes de fazer cair o “Império”. A posição do comunista revolucionário pareceu-me muito ingénua e afastada da realidade. Por isso, procurei explicar a Negri porque é que hoje a revolução já não é possível.

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Porque é que o sistema de dominação neoliberal é tão estável? Porque é que há tão pouca resistência? Porque é que toda a resistência, quando ocorre, se desvanece tão rapidamente? Porque é que já não é possível a revolução, apesar do crescente fosso entre ricos e pobres? Para explicar este estado de coisas é necessária uma compreensão adequada de como funcionam hoje o poder e a dominação.
Quem pretender instalar um sistema de dominação deve eliminar toda a resistência e o mesmo se aplica ao actual sistema de dominação neoliberal. Estabelecer um novo sistema de dominação requer um poder que se impõe frequentemente através da violência. Contudo, esse poder não é idêntico àquele que estabiliza o sistema internamente. Como é bem sabido Margaret Thatcher, pioneira do neoliberalismo, tratava os sindicatos como “inimigos internos” e combateu-os violentamente. Contudo, não devemos confundir a intervenção violenta que impõe a agenda neoliberal com um poder de estabilização ou manutenção do sistema.

O poder de estabilização do sistema não é repressivo mas sedutor
O poder de estabilização da sociedade industrial e disciplinar era repressivo. Os operários eram brutalmente explorados pelos proprietários, o que originava actos de protesto e de resistência. Nesse momento, foi possível que uma revolução derrubasse as relações de produção existentes. Nesse sistema de repressão tanto os opressores como os oprimidos eram visíveis. Havia um adversário concreto – um inimigo visível – ao qual se oferecia resistência.
O sistema de dominação neoliberal tem uma estrutura completamente distinta. Hoje, o poder que estabiliza o sistema já não funciona através da repressão, mas através da sedução – isto é, cativando. Já não é visível, como no caso do regime disciplinar. Hoje, não há um adversário concreto, um inimigo, que nos retire a liberdade e ao qual se possa resistir.

O neoliberalismo transforma o trabalhador oprimido num empresário livre, um empreendedor de si mesmo. Hoje, cada um de nós é um trabalhador que se explora a si próprio na sua própria empresa. Cada um de nós é mestre e escravo na sua mesma pessoa. E também a luta de classes se transforma em luta interna de cada um consigo próprio. Hoje, aqueles que não conseguem atingir o sucesso culpam-se a si próprios e sentem-se envergonhados. As pessoas vêem-se a si próprias como o problema e não a sociedade.

O sujeito submetido nem sequer tem consciência da sua submissão
Um poder disciplinar que procura colocar o ser humano debaixo de um colete-de-forças de ordens e proibições é totalmente ineficiente. Pelo contrário, é significativamente mais eficiente assegurar que as pessoas se submetam de espontânea vontade à dominação. A eficácia que define o actual sistema advém do facto de operar não tanto através da proibição e da privação, mas procurando agradar e satisfazer. Em vez de gerar homens obedientes, esforça-se por torná-los dependentes. Esta lógica da eficiência neoliberal aplica-se igualmente à vigilância. Nos anos 80, para citar um exemplo, houve protestos veementes contra o censo demográfico alemão. Até os estudantes saíram à rua.
Do ponto de vista actual, a informação solicitada no censo – profissão, níveis de educação, distância de casa ao trabalho – parece quase ridícula. Mas naquela altura o Estado era visto como uma instância de dominação que retirava informação aos cidadãos contra a sua vontade. Essa época há muito que ficou para trás. Hoje expomo-nos de livre vontade. É precisamente este sentido de liberdade que torna qualquer protesto impossível. Ao contrário daquilo que acontecia nos dias do censo, hoje dificilmente alguém protesta contra a vigilância. O livre desnudamento e a auto-exposição seguem a mesma lógica da eficiência como livre auto-exploração. Protesta-se contra quê? Contra si próprio? A artista conceptual Jenny Holzer formulou o paradoxo da actual situação: “Protect me from what I want” [“Protege-me daquilo que quero”].

É importante distinguir entre um poder que impõe e um poder que estabiliza. Hoje, o poder que estabiliza o sistema assume um disfarce amigável e smart, tornando-se invisível e inatacável. O sujeito submetido nem sequer tem consciência da sua submissão. O sujeito pensa-se livre. Esta técnica de dominação neutraliza a resistência de modo eficaz. A dominação que reprime e ataca a liberdade não é estável. Por isso o regime neoliberal é tão estável, ele imuniza-se contra toda a resistência porque faz uso da liberdade em vez de a reprimir. Suprimir a liberdade provoca imediatamente resistências, explorar a liberdade não.
Depois da crise financeira asiática, a Coreia do Sul estava paralisada e em choque. O FMI interveio e disponibilizou crédito. Em troca, o governo teve que impor uma agenda neoliberal. Isto foi iminentemente repressivo, poder impositivo – o tipo de poder que frequentemente é acompanhado de violência e que se distingue do poder de estabilização do sistema que procura sempre passar como liberdade.

De acordo com Naomi Klein, o estado de choque social que se segue a catástrofes como a crise financeira na Coreia do Sul – ou a actual crise na Grécia – oferece a oportunidade de reprogramar radicalmente a sociedade pela força. Hoje, quase não há qualquer resistência na Coreia do Sul. Bem pelo contrário: um consenso generalizado prevalece – assim como a depressão e o esgotamento. A Coreia do Sul tem hoje a mais alta taxa de suicídio do mundo. As pessoas agem violentamente sobre si próprias em vez de procurarem mudar a sociedade. A agressão dirigida para fora, que implicaria a revolução, foi substituída pela auto-agressão dirigida contra si próprio.
Hoje, não há uma multitude cooperante e conectada capaz de se levantar numa massa global de protesto e revolução. Pelo contrário, o modo dominante de produção baseia-se em empreendedores isolados e solitários, alheados de si próprios. Antes as empresas costumavam competir entre si. Contudo, dentro de cada empresa, era possível encontrar solidariedade. Hoje, todos competem contra todos, inclusive, dentro da mesma empresa. Apesar da competitividade aumentar a produtividade, esta destrói a solidariedade e o sentido comum. Nenhuma massa revolucionária pode surgir de indivíduos exaustos, depressivos e isolados.

O neoliberalismo não pode ser explicado em termos marxistas. No neoliberalismo não tem sequer lugar a “alienação” do trabalho. Hoje, mergulhamos euforicamente no trabalho – até ao esgotamento. O primeiro nível da síndrome de Burnout [esgotamento] é a euforia. Esgotamento e revolução excluem-se mutuamente. Assim, é um erro pensar que a Multitude poderá derrubar o “Império parasitário” e construir uma ordem social comunista.

A economia de partilha leva à total mercantilização da vida
Qual é o estado actual do comunismo? Há hoje uma invocação constante da noção de “partilha” [sharing] e de “comunidade”. A economia de partilha parece substituir a economia da propriedade e da posse. Sharing is Caring [partilhar é cuidar] é a máxima da empresa “Circler”, no mais recente romance de Dave Egger: partilhar é curar, por assim dizer. Os passeios que levam até à sede da empresa estão cheios de máximas como “Comunidade Primeiro” e “Humanos trabalham aqui”. Mas o verdadeiro mote deveria ser: “cuidar é matar”
Centros de boleias digitais, que nos transformam a todos em taxistas, são igualmente divulgados com apelos à comunidade. Mas é um erro afirmar – como faz Jeremy Rifkin no seu mais recente livro, The Zero Marginal Cost Society – que a economia de partilha anuncia o fim do capitalismo inaugurando uma ordem social orientada para o comum, onde partilhar tem mais valor que possuir. O que acontece é precisamente o oposto: a economia de partilha leva, em último caso, à total mercantilização da vida.

A mudança que Rifkin celebra – da posse para o acesso – não nos liberta do capitalismo. As pessoas sem dinheiro continuam a não ter acesso à partilha, ao sharing. Mesmo na idade do acesso, continuamos a viver dentro daquilo que Didier Bingo chamou o “Ban-opticon”, onde aqueles sem meios económicos permanecem excluídos. “Airbnb” – o mercado comunitário que faz de cada casa um hotel – fez da hospitalidade uma mercadoria, um bem de consumo.
A ideologia da “community” [comunidade] e dos “collaborative commons” [bens comuns colaborativos] levam à total mercantilização da comunidade. Tornou-se impossível uma amabilidade desinteressada. Numa sociedade de valorização recíproca e permanente, também a amizade se tornou comercializável. Tornamo-nos amáveis para obteremos melhores avaliações.

A dura lógica do capitalismo prevalece mesmo no coração dessa economia de partilha. Paradoxalmente, neste tão simpático “partilhar” ninguém dá nada a ninguém voluntariamente e de graça. O capitalismo realiza-se plenamente no momento em que vende o comunismo como mercadoria. O comunismo como mercadoria é o fim da revolução.

Nota da edição
Texto traduzido a partir da versão alemã (com auxílio da versão inglesa e espanhola) publicado originariamente no Süddeutsche Zeitung, a 3 de Setembro de 2014.
).

Byung-Chul Han
Filósofo Sul-Coreano e professor na Universität der Künste Berlin (UdK).

Ficha técnica
Data de publicação: 2 de Dezembro de 2015

 

Na semana passada, a FCC (Comissão Federal de Comunicações, da sigla em inglês) votou para revogar a Neutralidade da Net nos EUA. Sem essas proteções, as corporações privadas – e a classe que as controla – pode moldar qual a informação fica disponível para as pessoas de acordo com seus próprios interesses. Imagina um futuro onde o conteúdo amplamente disponível na internet é comparável com o que você podia assistir na televisão aberta nos anos 1980! Hoje, os fluxos de informação na internet são quase idênticos com os nossos processos de pensamento coletivo: eles determinam o que podemos discutir, o que podemos imaginar. Mas o problema fundamental é que a internet sempre foi controlada pelo governo e pelas corporações.

É muito representativo que o setor privado tenha transformado de forma progressiva uma estrutura de desenvolvimento militar comparativamente mais horizontal em algo menos participativo e igualitário. Infelizmente, não existe uma alternativa anarquista, uma internet das pessoas para construir em cima; essa é a única. Socialistas de Estado aproveitaram essa oportunidade para promover a nacionalização da internet, argumentando que essa é uma oportunidade de formular uma visão de um futuro melhor. Mas se não queremos que a classe capitalista controle nossa comunicação, o controle pelo Estado não solucionará o problema: afinal é o Estado que está pondo as corporações no controle, e os modelos existentes de controle estatal (pense na China) são tão opressivos quanto os corporativos. Devemos tomar passos pragmáticos para defender nossos direitos no contexto atual. Porém, um quadro baseado em direitos mas que atribui ao Estado um papel de árbitro de questões sociais nunca irá garantir nossa liberdade. Se queremos uma visão verdadeiramente libertária de um futuro melhor, temos que pensar para muito além disso.

Uma abordagem anarquista deve começar por rejeitar a falsa dicotomia entre poder das corporações e poder estatal. A partir daí, precisamos ousar sonhar com formas descentralizadas de infraestrutura que sejam resilientes contra controle de cima para baixo. A internet, na sua forma atual, é de fato indispensável para participar da sociedade; mas isso não significa que devemos tomar a forma atual da internet – ou da sociedade – como o único ou o melhor modelo que existe. Até porque, foram nossos recursos, extraídos de nós na forma de impostos, mão de obra e inovação que ajudaram a criar ambos. O que seríamos capazes de criar se nossos esforços não fossem moldados pelas amarras do Estado e os imperativos do mercado?

Nosso objetivo de longo prazo deveria ser retomar as estruturas que ajudamos a construir, mas teremos que transformá-las para que funcionem de acordo com os nossos interesses – e também podemos começar a experimentar com estruturas paralelas agora mesmo. Até reformistas devem reconhecer que fazer isso é praticamente a única forma de ganhar influência sobre aqueles que hoje controlam os meios pelos quais nos comunicamos.

A tecnologia nunca é neutra. É sempre política: sempre expressa e reforça as dinâmicas de poder e aspirações que estiveram lá desde o início. Se engenheirxs e programadorxs não constroem a partir de um enfoque político com a intenção explícita de criar relações igualitárias, seu trabalho sempre será usado para concentrar poder e oprimir as pessoas.

Para saber mais sobre as limitações codificadas no cerne do mundo digital pelo capitalismo, leia Desertando a Utopia Digital. Para detalhes sobre o fim da Neutralidade da Net e as alternativas radicais ao controle corporativo, leia o seguinte texto de Willian Budington, também entrevistado pelo audiozine The Final Straw.

Texto original em crimethinc.com/2017/12/15/anarchist-per…

Quando baixamos arquivos de sites (como uma distribuição linux ou softwares de segurança), é necessário conferir se aquilo que chegou é o mesmo que foi enviado pelo servidor. É sabido que ataques de man-in-the-middle podem acontecer em redes monitoradas e assim informações podem ser modificadas ou substituídas por semelhante.

Uma forma de ter a confirmação de que o arquivo que você está baixando é de fato aquele oferecido pelo site é através da soma de verificação (checksum). Existem várias opções de geração de soma de verificação: MD5, SHA, etc. (Outra opção de verificação é a assinatura com GPG, ver essa postagem.) A ideia é o seguinte: após receber o arquivo, você rodará uma ferramenta que cria uma soma de verificação com base no arquivo. Compare esse resultado com a soma de verificação fornecida pelo site (que pode estar postada textualmente ou através de um arquivo, por exemplo, .md5). Se elas forem iguais, o arquivo é o mesmo. Caso contrário, algo pode ter dado errado.

 

 

Exemplo: verificando o arquivo de instalação do LineageOS:

Baixe o arquivo .zip de instalação do Lineage (por exemplo, para o Moto G falcon)

No site, temos o link para o arquivo e, logo abaixo, um link para a soma de verificação sha256 e outro para a sha1. Ao clicar no sha256, a seguinte informação apareceu:

9f772038b089bfefde5df76d69fee657a5b8a24048e3a73adf4159c244bfad46 lineage-14.1-20171107-nightly-falcon-signed.zip

Quando o arquivo tiver terminado de baixar, vá no terminal do linux, acesse a pasta onde foi salvo o arquivo e rode:

$ sha256sum lineage-14.1-20171107-nightly-falcon-signed.zip

Outras funções semelhantes são sha1sum e md5sum. Compare o resultado da linha de comando com aquilo fornecido pelo site. Se você baixou um arquivo .md5, por exemplo, peça para mostrar seu conteúdo com o comando:

$ cat lineage-14.1-20171107-nightly-falcon-signed.zip.md5

Lembrete: o Lineage não fornece soma de verificação MD5. Aqui é só um exemplo ilustrativo.

Ambas informações devem ser a mesma.

Adendos:

  • Se o site foi comprometido, esse método não serve.
  • Assinar um arquivo usando GPG é bem mais confiável.
  • A soma de verificação MD5 só confere o conteúdo do arquivo, ignorando o nome. Se você mudar as permissões do arquivo, a soma de verificação irá mudar também.
  • Vários linux já vêm com essas ferramentas de verificação, inclusive a GnuPG.
  • Você pode criar um arquivo com a soma de verificação e o nome do arquivo através do comando:
    $ sha256 arquivo.zzz > soma.sha256

    Onde arquivo.zzz é o arquivo sobre o qual será criada a soma de verificação e soma.sha256 é o resultado, gravado no seu disco.

 

Do blog https://jornalggn.com.br/blog/eli-rezende/algoritmos-como-grilhoes-para-conhecimento-e-inovacao-por-eliana-rezende

 

Algoritmos como grilhões para Conhecimento e Inovação

por Eliana Rezende

Há tempos venho pensando, e com certo incômodo, sobre de que forma o Marketing e todo seu arsenal de ferramentas digitais é em última instância um limitador para a produção de Conhecimento e Inovação.

​A partir do desenvolvimento de ferramentas com fins claros de determinar perfis, gostos, nichos e vontades dos consumidores uma lógica perversa se deu.

Observe:

Todas as vezes que realizamos uma busca, qualquer que seja, imediatamente algoritmos começam a selecionar quais as respostas que são as nossas preferidas, e dia-a-dia, pesquisa após pesquisa começam a aprender sobre nosso perfil, nossos gostos e desgostos. Isso por si só não seria o problema. O problema piora logo a seguir, pois para haver uma customização de nossos gostos e preferências, quase sempre somos levados aos mesmos lugares e quase que invariavelmente, às mesmas velhas respostas. É a famosa existência dentro de uma bolha.

 

Quase sem notarmos estaremos fornecendo um padrão de comportamento que ao incluir determinadas opções exclui uma outra gama de possibilidades e alternativas diversas.

Vista sob esta ótica, a internet é portanto, finita e cerceada.

Explico:

As opções são infinitas até a primeira pergunta lançada em um buscador. A partir daí somos levados a andar por caminhos escolhidos por nós e armazenados por algoritmos. Quanto mais eficientes forem, mais nos tirarão possibilidades e caminhos inusitados. Andaremos em círculos, visitando sempre os mesmos lugares, pessoas, respostas, atividades, temas…

Nesta construção, as possibilidades de inovação e de sermos apresentados a algo completamente novo e diferente reduzem-se cada vez mais, a quase zero.

Uma vitória para as áreas de Marketing que querem em verdade vender um produto, ao mesmo tempo em que nos transforma em um. Embalados e vendidos ao mercado para sermos potenciais consumidores deste e daquele produto. Os algoritmos acabam por tornar a liberdade um produto quadrado e previsível, repetido infinitamente.

É uma lógica sem benefícios para nós usuários em uma primeira instância, mas com certeza a todo o conjunto da sociedade em um nível e alcance ainda maiores.

Ao acontecer esta lógica de mercado, ergue-se o muro contrário a toda e qualquer possibilidade de produção de Conhecimento e Inovação de forma espontânea. A internet, seus algoritmos e buscadores, fazem o contrário do que Conhecimento e Inovação necessitam. Afinal excluem o novo, o diferente, o inusitado. Levam-nos sempre aos mesmos lugares e por consequência às mesmas respostas e caminhos. Sair deste circulo vicioso e tortuoso requer por parte do que busca Conhecimento e Inovação é um esforço extra: significará muito autoconhecimento.

Precisará se ter consciência do quanto está limitado dentro destes caminhos para tentar fugir desta  lógica cega e consumista tão favorecida por algoritmos, e tão amplamente usada pelo Marketing em geral.

E ainda não incluo aqui um outro conceito que é o de invenção. Muitas vezes até confundido com inovação. Mas que não é o caso aqui.

A inovação não necessariamente requer uma invenção! Na maior parte das vezes eles exige muito menos de quem a propõe, já que esta baseia-se em algo que já existe e faz simplesmente uma adequação, ampliação, um novo uso. Mas mesmo tomando-se a conceituação de inovação neste sentido, ainda temos muita limitação gerada pela forma como hoje buscadores e diferentes áreas se utilizam destes algoritmos.

Daí a afirmação que, ao invés de estarmos com alto grau de desenvolvimento tecnológico e de grandes descobertas, na verdade andamos às voltas com os mesmos lugares, respostas, caminhos. Em pouco tempo teremos um universo feito de restrições potenciais que só poderão ser quebradas por sujeitos conscientes e independentes. Algo cada vez mais raro, já que as pessoas cada vez mais delegam a botões, buscadores e algoritmos o que pensam ser a melhor escolha. O estatuto de “verdade” que grandes buscadores como Google alcançam no imaginário popular é avassalador e ao mesmo tempo destrutivo enquanto potencialidades.

 

E mesmo para as áreas de Marketing, que em teoria deveria prezar muito a inovação, ver-se-ão em pouco tempo igualmente restritas a um dado espaço e com um determinado perfil de usuário/cliente. E o que é mais grave: com quase ou nada a oferecer de novo, já que as grandes inovações tenderão cada vez mais a ser recusadas pela massa complacente de apertadores de botões e mesmices.

De outro lado, esta mesmice a que me refiro não se encontra apenas dentro da internet, encontra-se também nos meios que usamos para a utilizarmos. É só prestar atenção: desde que foram inventados computadores e celulares temos exatamente as mesmas telas, botões, funções.

Olhe os teclados: sempre os mesmos, olhe a sua sequencia…sempre as mesmas.

Observe o que cada tecla faz, e descobrirá que são sempre as mesmas coisas.

Os computadores não deixam de ser as mesmas caixas retangulares que nossos avós viram nascer a televisão, ou retroagindo um pouco mais os rádios. Telas escuras que reproduzem sons e imagens…

É uma caixa onde entretenimento é oferecido para se passar o tempo.

Até mesmo a forma de usarmos o telefone, suas teclas e sons são exatamente as mesmas e que já vem de muito longe, provavelmente desde a máquina de escrever. Não importa se seu aparelho é um iPhone de última geração ou aquele vendido em qualquer galeria de contrabando… não há inovação! Funcionam exatamente da mesma maneira. E o pior de tudo, é que não haverá mudanças substanciais. Em verdade, tais tecnologias precisam ser pobres, medíocres para que possam ser consumidas em larga escala. Trabalhar para a inovação aqui é segundo esta ótica, contraproducente. Como inovar a tal ponto que as pessoas simplesmente deixem de consumir porque não sabem como utilizar?

Donde se deduz que temos a tecnologia não para inovar, mas para atrofiar mentes e comportamentos, nada além disso.

Simples assim…

E ainda precisamos falar das “prisões” propiciadas por plataformas, aplicativos e outros brinquedos. Mantém entretidos e dispersos boa parte destes usuários desavisados. Assim, gigantes como Facebook mantém reféns seus usuários impedindo que saiam de seus domínios, não permitindo, por exemplo, que vídeos, matérias e outros recursos sejam notados por seus algoritmos. O usuário, sem perceber, só lê, assiste e visualiza o que é produzido e gerado ali dentro. E de lá só sai quando seu aparelho é desligado por falta de carga, pois em geral, as pessoas nem desligam mais seus aparelhos.

A sensação que tenho olhando isso tudo é a de que ofereceram uma prisão numa ilha com grades de frente para o mar. Esta é imagem que tenho. O prisioneiro ali dentro acha que tem um horizonte imenso à sua volta, no entanto está ali só e aprisionado.

Como dito por Lionel Bethancourt: “a tecnologia que nos deveria dar asas, acaba por nos impor grilhões”, e acrescento: com nosso consentimento e busca.

É para se pensar…

Na semana passada uma forte onda de repressão contra movimentos sociais foi deflagrada em diversos países da Europa Ocidental. Essa medida foi em grande parte uma resposta às grandes manifestações que ocorreram na cidade de Hamburgo, Alemanha, durante o encontro anual do G20 que aconteceu em julho desse ano. Como parte dessas ações de repressão, houveram invasões em centros sociais, detenções e apreensão de equipamentos em diversos países. Na Alemanha a polícia apreendeu os servidores do site linksunten.indymedia.org, o principal coletivo de midia independente da Alemanha. Como muitos dos sites do IndyMedia.org ao redor do mundo, o site era um importante ponto de divulgação de manifestações e eventos, vazamento e difusão de informações e plataforma de debate e organização. Em comunicado o coletivo promete retornar em breve. Leia artigo que saiu originalmente no site do Centro de Midia Independente daqui:

O governo alemão proibiu o site do coletivo Indymedia Linksunten linksunten.indymedia.org, a plataforma de língua alemã mais utilizada por organizações políticas radicais. Eles também realizaram batidas na cidade de Freiburg para apreender computadores e perseguir aqueles que acusam de administrar o site, absurdamente justificando isso com base na acusação de que os supostos adminstradores são parte de uma organização ilegal com o objetivo de destruir a Constituição Alemã. Isso representa uma escalada maciça na repressão estatal contra o que as autoridades chamam de “extremismo de esquerda”, sugerindo, de forma nada ingenua, uma equivalência entre aqueles que procuram construir comunidades fora do alcance da violência estatal e neonazistas se organizando para realizar ataques e assassinatos como o de Charlottesville na semana passada.

Indymedia foi fundado na Alemanha em 2001 como de.indymedia.org; uma segunda versão apareceu em 2008 como linksunten.indymedia.org. Este último foi fundado para se concentrar em ações políticas radicais no sul da Alemanha, mas logo se tornou a página mais utilizada para ativistas de língua alemã. Como a página original do Indymedia alemão tornou-se tecnicamente desatualizada e inundada por trolling, mais e mais pessoas mudaram para o linksunten.indymedia.org. Em 2013, de.indymedia.org estava quase fechado porque não havia pessoas suficientes envolvidas .

Nos últimos dois anos, mais e mais atenção se acumulou em torno de linksunten, que oferece um espaço para que as pessoas postem anonimamente. Por exemplo, em 2011, um comunicado apareceu na plataforma reivindicando a responsabilidade por sabotagem politicamente motivada na infra-estrutura do metrô em Berlim. O site também foi usado para divulgar informações sobre fascistas e neonazis. Em 2016, um artigo no linksunten apresentou os dados completos de cada participante na convenção do Partido Nacionalista de extrema direita Alternativa para a Alemanha ( Alternative für Deutschland ou AfD), um total de 3000 nomes. Isso atraiu ainda mais a atenção hostil dos defensores de extrema-direita da repressão estatal.

Antes do encontro do G20 de 2017 ter ocorrido em Hamburgo, a mídia corporativa já estava focada em linksunten, declarando que a página servia como coordenação de manifestantes anti-G20. O AfD começou uma campanha contra a plataforma, levando inquéritos sobre o Indymedia no parlamento federal e tentando forçar os governos locais a proibirem a plataforma e outras formas de infra-estrutura radical .

Tudo isso contribuiu para atual situação em que o Ministro do Interior Thomas de Maizière proibiu o site em 2